Prof. Dr. Iberê Moreno Rosário e Barros – Secretário Estadual de Formação da FLB-AP SP
A realidade e as dificuldades do PDT paulista se enraízam na falta de coesão e coerência entre seus militantes, suas lideranças e seus quadros. Diferentemente de outros estados, São Paulo carece de uma atenção real por parte das lideranças locais para formular estratégias e guiar posicionamentos, não só de cunho ideológico, mas também de propósito pragmático. As lideranças internas se colocam de maneira arredia e refratária, dificultando uma construção orgânica. Já passamos por diferentes ciclos de mobilização, mas há a necessidade de uma renovação de laços, não de novos membros. A questão passa pela fidelidade, pelo programa político proposto e pelas diretrizes estratégicas que queremos cumprir.
Há um claro desafio de mobilização para consolidarmos candidaturas que sejam viáveis e fortes o suficiente para garantir a manutenção do PDT no status atual do cenário político. A única solução possível é, portanto, buscarmos uma organização orgânica e de base, mesmo que ela ainda não represente a força total que podemos ter. Isso se dará pela escuta e pela constância de atualização e diálogo. Para tal serão necessárias algumas estruturas básicas como autonomia das lideranças, cadeias de informação/circulação, produção de diretivas e mobilização concreta.
A entrada de figuras como Miguel Torres é crucial para considerarmos as frentes de trabalho que queremos construir. Para poder ter força, a liderança precisa de uma base disciplinada e preparada. Por parte da Força Sindical ele já tem essas estruturas, cabe ao partido atender nos espaços ainda necessários e colocar ditames claros dos interesses políticos. Falta, portanto, alinharmos vontades, interesses e braços para o trabalho, o que a autonomia das lideranças já começaria a solucionar.
É necessário enfrentar também a condição imóvel que nos encontramos no estado e nas cidades. Falta pulso e coordenação política, deixando as lideranças locais com baixa ou nenhuma autonomia para atuação real. É necessário que o PDT Nacional dê autonomia para as lideranças paulistas, mesmo que seja de forma assistida, não é mais possível manter o poder partidário imóvel.
Entendo assim como tese: “Mais do que focar nas majoritárias, São Paulo precisa apoiar a candidatura de Miguel Torres para federal, assim como organizar ao menos mais 3 candidaturas de deputados federais de peso (na casa de 50mil votos), para podermos vislumbrar chances de eleição de quadros no legislativo.” Os encaminhamentos propostos para alcançarmos essa tese são: Criação de ciclos formativos constantes para acolhimento e capacitação de militância; Criação de canais de circulação constante de informação, que permitam coordenação e alinhamento; Solidificação de espaços de diálogo que possam servir também de espaços para novos militantes assim como desafogar as angústias dos militantes já filiados.
Seguindo os encaminhamentos propostos e adotando a tese indicada, creio que poderemos construir viabilidade para que tenhamos um papel relevante na eleição de Miguel Torres para deputado federal, assim como iniciarmos os trabalhos da formação de lideranças e bases para o próximo ciclo eleitoral, levando em conta que temos apenas 3 anos para trabalhar nomes que ainda não existem no cenário político.