ALBERTO PASQUALINI - TRAJETÓRIA

Alberto Pasqualini foi o primeiro teórico trabalhista. As suas análises, formulações teóricas e reflexões confundem-se com o pensamento político brasileiro, ainda que ele seja mal estudado e compreendido, inclusive no campo da esquerda. Poucos são os trabalhos acadêmicos que debruçam com profundidade a vida e a obra deste quadro intelectual do trabalhismo. Suas diretivas ideológicas influenciariam a atuação de quadros de envergadura como Getúlio Vargas, João Goulart, Leonel Brizola, Fernando Ferrari, Sereno Chaise e Pedro Simon.

Nascido em Ivorá, em 23 de setembro de 1901, a formação intelectual do jovem Alberto Pasqualini, em meio à movimentada conjuntura política nacional da década de 1920, teria influência da Doutrina Social da Igreja – a partir de sua origem cristã –, além de elementos do positivismo social, bastante hegemônico no Rio Grande do Sul. A sua formação em Direito em 1929, na condição de orador da sua turma, em Porto Alegre, faria com que o mesmo Pasqualini esposasse uma concepção sobre a centralidade do Estado na promoção da Justiça Social.

Ainda que viesse a atuar como Secretário de Justiça e do Interior no governo de Ernesto Dornelles durante a primeira metade da década de 1940, o que Alberto Pasqualini se sobressairia frente a outros intelectuais gaúchos residia na sua independência intelectual e na profundidade de suas análises, visando o interesse público. O sentido da ética e da moralidade pública só teria sentido se o Estado propugnasse a justiça social aos mais humildes e condenasse a usura promovida pelo “capitalismo egoísta”.