12 JUN 18

“Precisamos conquistar corações, mentes e territórios”, defende William Rodrigues, presidente da JS

Dirigente nacional da Juventude Socialista afirma que é preciso “sair dos muros do partido”

*Por Leo Lupi

A Juventude Socialista do PDT é uma das mais tradicionais juventudes partidárias, com uma longa história de lutas e conquistas. Atualmente presidida pelo carioca William Rodrigues, de 27 anos, a Juventude tem agora o desafio de mobilizar os jovens em torno da candidatura de Ciro Gomes para a Presidência e em defesa dos valores do trabalhismo e da soberania nacional.

Em entrevista para o site da Fundação Leonel Brizola, William falou sobre a rotina da militância e da missão de atrair jovens para o partido em um momento de descrédito da política.

Como a Juventude Socialista é organizada atualmente?

A Juventude Socialista é a primeira juventude partidária a se reorganizar durante a redemocratização, em fevereiro de 1981, aqui no Rio de Janeiro. De lá pra cá, aconteceram várias transformações na organização. Hoje, a Juventude reúne jovens de 14  a 29 anos, tendo direções municipais, estaduais e a nacional. Desde o décimo sexto congresso nacional, que rolou ano passado em São Luís do Maranhão, todas as direções estão sendo organizadas ou reorganizadas com paridade de gênero: 50% de homens e 50% de mulheres. No campo das direções estaduais, já são 15 estados com direções paritárias. Na direção nacional, são 30% de mulheres. Fora isso, temos 10% de jovens LGBTs em nosso diretório nacional.

Esse ano, a Juventude está fazendo o esforço de lançar o maior número de candidatos da nossa história. A gente tá trabalhando pra lançar 50 candidatos jovens em todo o país aos cargos de deputado estadual ou federal. A Juventude se reúne a cada dois anos em seu Congresso Nacional, e isso se replica nos congressos estaduais e municipais. Fora isso, a gente tem as reuniões dos diretórios e cada direção estadual e municipal tem a sua rotina. Aqui no Rio, por exemplo, que é o meu estado, todo mês tem uma plenária estadual da Juventude, que é aberta a todos os militantes, filiados, simpatizantes. Para além das reuniões, a tônica da nossa gestão tem sido tirar a juventude dos muros do partido. Precisamos reocupar as universidades, as escolas e as praças e dialogar com a juventude na rua.

O dia a dia da Juventude é de luta, de atividades, de agendas do partido, panfletagem, agendas também do movimento social. A gente acompanha as agendas de rua da Frente Brasil Popular, as jornadas de luta do movimento estudantil, da UNE e da UBES, que são entidades das quais fazemos parte.

Como é organizar um movimento de jovens em um partido tão tradicional como o PDT?

A luta é diária, tanto por empoderamento quanto por visibilidade e investimento. A gente tem o apoio muito forte da direção do partido, tanto na figura do Lupi quanto na do Manoel Dias, que acreditam na Juventude e na renovação da estrutura do partido. Recentemente, foi reestruturada a Fundação Leonel Brizola – Alberto Pasqualini. Hoje, os estados em que a Fundação tem melhor desempenho são onde jovens ou quadros que acabaram de sair da Juventude assumiram a organização. É o caso do Rio, do Amapá, do Maranhão.

Nosso partido tem duas principais gerações. Tem a que construiu o partido ou que chegou um pouco depois, que foi braço-direito do Brizola, que esteve nos grandes embates eleitorais. É uma geração que já deu muito a sua energia para o partido, e a política, principalmente no nosso tempo, demanda cada vez mais energia. E tem outra geração que é a última que viu o Brizola ou dos primeiros que ingressaram no partido já sem a presença física do Brizola, que é o meu caso. Essa geração está começando a assumir postos de comando no partido. O PDT vem se renovando, não só na questão etária, mas também na prática política, investindo em comunicação, em  formação política à distância. Só que o segredo pra isso dar certo é você conseguir juntar a experiência dos históricos com a energia dos moços. Esse é o caminho para que o partido vá ciclicamente se renovando, sem perder a sua essência e sem ter rupturas.

Como atrair mais jovens para a política? O que a Juventude tem pensado em fazer nesse sentido?

A gente vive um momento onde a política se permitiu ser criminalizada, tivemos mais de uma década de criminalização da política. É muito difícil você trabalhar a questão da militância jovem nesse momento, porque é a parcela da sociedade que é mais crítica, mais rebelde, que tem uma tendência natural a negar. É do “fora todos”, “são todos corruptos”.

Quando eu falo de tirar a juventude dos muros do partido, eu falo de ir aonde está o jovem comum. É a gente atuar sim na militância estudantil, mas é também “linkar” a cultura e a arte com fazer política, é ter trabalho territorial, pois cada vez mais a política é feita no território onde você mora, onde é o seu dia a dia, onde estão os problemas reais da sociedade. Se antigamente a gente precisava conquistar corações e mentes, hoje a gente precisa conquistar corações, mentes e territórios.  Todas essas ações significam tirar a juventude dos muros do partido. Se eu chamo um jovem para um encontro, uma roda de conversa, uma roda de rima, uma roda de rap, já fica mais fácil trazer essa galera. Trazer mais jovens para a política passa também por fazer uma disputa da narrativa.

Como as ações do atual governo têm afetado o jovem brasileiro?

A gente vive um golpe de estado permanente, com uma série de retirada de direitos  e a juventude é a principal vítima desse processo. Na “PEC do Fim do Mundo”, que congelou por 20 anos os investimentos nas áreas de educação e saúde, a juventude é a principal vítima porque pede a condições de acessar educação de qualidade, perde potencial inventivo, perde acesso à saúde. Quando tem a quebra do monopólio do pré-sal da Petrobras, você perde os recursos que iriam para o fundo soberano, onde 75% desse fundo vai para a educação. A gente vê hoje institutos federais, de referência, sendo fechados. Não é só a nossa geração, são várias outras gerações que vão pagar o preço disso.  É um ciclo: a juventude que não tem acesso à educação de qualidade é a juventude que não tem uma perspectiva de emprego, e, quando tem, é o subemprego, sem garantias e sem direitos.

O que um governo comprometido com os jovens pode fazer? Quais as políticas públicas necessárias para esse grupo no âmbito nacional?

Não acredito em políticas públicas de juventude que não sejam transversais. Em todas as áreas do governo tem coisas que impactam a juventude. A luta precisa ser de um governo que tenha compromisso com o povo, com o combate à desigualdade social e com um envolvimento maciço em educação, que é o que o Ciro vem apresentando pra sociedade na pré-campanha. Esse tripé garante que a gente tenha um governo com a sensibilidade de construir políticas públicas transversais. Você já tem ferramentas para isso, como, por exemplo, o Comitê Intersetorial de Juventude, que articula políticas voltadas para o jovem em todos os setores do governo. Isso é fundamental para a gente avançar. Quando o Ciro se compromete em fazer a auditoria da dívida, em cancelar as entregas dos poços de pré-sal para os estrangeiros e ele topa todas essas brigas em defesa do povo, ali ele está fazendo política pública pra juventude.

A pré-campanha é cada vez mais fundamental e o Ciro tem feito muito isso de rodar as universidades, dialogar com universitários. Mas é também a pré-campanha do formador de opinião, do multiplicador de voto. O jovem que já é Ciro precisa mais do que nunca multiplicar esse voto, falar com os amigos, levar a mensagem do Ciro pra onde ele mora e onde ele estuda, e garantir mais 12 votos pra gente poder virar esse jogo.

Galeria de fotos

Bruno Ribeiro

Secretário Nacional de Comunicação da FLB-AP.

COMENTÁRIOS