28 MAY 18

“A cultura está totalmente atrelada ao projeto do Ciro Gomes”, afirma Roberto Viana

Presidente do Movimento Cultural Darcy Ribeiro, o pedetista exalta os artistas, com destaque para Beth Carvalho (foto)

Por Leo Lupi

Rio de Janeiro, 28/5/2018 – O primeiro congresso nacional do Movimento Cultural Darcy Ribeiro começa hoje, às 18 horas, no Teatro Dulcina, no Centro do Rio de Janeiro, e representa um marco para o setor. Oficializado em julho do ano passado, a organização vinculada ao PDT é presidida pelo músico e produtor cultural Roberto Viana Júnior, de 29 anos. No partido desde 2005, o cearense tem agora a missão de organizar nacionalmente o movimento, que visa unir artistas de diferentes áreas em torno de um projeto cultural para o país, baseado nos valores do trabalhismo de Brizola e Darcy Ribeiro.

Em entrevista para o site do PDT, Roberto falou a respeito do congresso e sobre a importância de se pensar a cultura no cenário político atual.

Como surgiu a ideia de criar o Movimento Cultural e qual o objetivo do movimento?

O movimento foi oficializado ano passado, mas já existia uma articulação para a criação dele em alguns estados há tempos. No Maranhão, havia a Ação Popular de Cultura; no Rio Grande do Sul, Movimento Socialista de Cultura Darcy Ribeiro; na Bahia, Brizolistas com a Cultura.

Então, já tinha essa movimentação e desde a época do Brizola muitos artistas sempre simpatizaram com o trabalhismo e com o PDT. Hoje o movimento existe em 20 estados, com 20 comissões provisórias. E escolhemos fazer o Congresso aqui no Rio por conta da conotação cultural, que Brasília não tem. O Rio sempre foi um cenário cultural de vanguarda e é onde a história de Darcy e Brizola ainda é muito viva.

Como será o primeiro congresso do movimento? Quais os objetivos desse evento?

O primeiro congresso vem para nos afirmarmos como um movimento do partido, para abrigar todo mundo que tem essa identidade com o trabalhismo. Sempre tendo o Darcy como principal fonte de inspiração e como guia cultural desse projeto de nação que nós defendemos, que é a emancipação do povo brasileiro. Vamos realizar debates e pensar já na candidatura do Ciro. Queremos apresentar para a candidatura um projeto cultural que seja enraizado no trabalhismo, trazendo artistas e pessoas que possam colaborar. Uma construção permanente.

Nosso projeto é ter uma plataforma virtual em que pessoas de qualquer parte do
país possam contribuir para esse projeto de nação. Obviamente, com a Fundação Leonel Brizola nos orientando. Vamos fazer esse congresso para criar uma plataforma dentro de uma perspectiva ideológica e, a partir disso, pensar em políticas públicas para um projeto de transformação social do Brasil. Esse projeto passa obrigatoriamente pela cultura.

A primeira grande transformação é essa e o congresso vem nessa perspectiva. Que seja o primeiro congresso de muitos outros que virão. Teremos candidaturas estaduais e é importante que possamos contribuir também dentro dos estados, com essa perspectiva de um projeto cultural. O congresso não se resume a isso, mas é um dos feitos que queremos que ele tenha.

Quem integra o movimento hoje e quem pode se juntar à causa?

Qualquer um que tenha afinidade com cultura, que entenda a cultura como ferramenta de transformação, pode participar com a gente. Obviamente, estamos trazendo artistas que pensam de forma parecida com a gente, para que possamos construir o movimento de maneira mais concreta, mas não temos nenhuma barreira para quem queira participar.

Quando se pensa em cultura, às vezes, pensa-se apenas em arte. Mas cultura não se limita à arte, é algo muito mais amplo. O jornalista que está na ABI (Associação Brasileira de Imprensa) está fazendo cultura, porque ele está produzindo material, conteúdo. A pessoa que está nas redes sociais também está produzindo cultura.

Beth Carvalho vai apadrinhar o nosso movimento. O Carlos Lupi (presidente do PDT) e o Ciro estão entrando em contato com outros artistas, figuras que apoiam nossas causas. E temos também muitos que já militavam no PDT, alguns que faziam parte da juventude, pessoas do movimento negro, do movimento de mulheres.

Qual o papel de um movimento sobre cultura dentro de um partido político?

Hoje, a grande briga ideológica pela dominação do mundo é cultural. Não é apenas nuclear. Os Estados Unidos dominam o mundo através da cultura. As pessoas costumam dizer: “nós temos que levar a cultura”. Ninguém leva a cultura, ela existe na sociedade. “Levar a cultura” é algo imperialista, é você pegar a cultura de alguém e oprimir com a sua. Na cultura, você troca experiências e enriquece.

Então, um partido que tem o trabalhismo como protagonista é um instrumento primordial para que a gente possa reunir artistas em torno de um projeto popular de nação, para pensarmos a cultura e emanciparmos o povo. Nós representamos isso. O Ciro representa o trabalhismo, representa Vargas, representa Jango. Foi o Getúlio quem possibilitou o voto feminino.

Quase metade do secretariado do Brizola era composto por mulheres e negros, como o Abdias Nascimento, a Edialeda do Nascimento. O Abdias, aliás, era pintor, escritor, teatrólogo. E o Ciro representa também um não rotundo a tudo isso que estamos vivendo: ao golpe, à prisão do Lula, à intervenção no Rio, ao que aconteceu com a Marielle.

Como você avalia a situação da cultura no Brasil, hoje?

Temos um Ministério da Cultura completamente esvaziado. O Brasil vive um golpe de estado desde 2016 e este golpe só tem tirado os direitos do povo brasileiro, principalmente dos mais oprimidos. Temos críticas aos governos do PT, mas reconhecemos que houve avanços significativos naquela época. Tivemos ministros da Cultura como o Gilberto Gil, o Juca Ferreira, e hoje quase ninguém nem sabe quem é o nosso ministro da Cultura.

Qual a importância de se resgatar a figura de Darcy Ribeiro no atual momento que o país vive?

A gente escolheu o Darcy por ser um símbolo nosso, alguém que sempre lutou pela cultura como uma forma de emancipação do povo brasileiro. Alguém que sempre defendeu o trabalhismo, junto com o Brizola. Se tivermos alguma dúvida na nossa plataforma cultural, consultamos Darcy Ribeiro.

O Darcy era o intelectual político mais inquieto, mais inventivo e mais realizador que já tivemos na história do Brasil. O Darcy transitou em todas as áreas, escreveu sobre os índios, foi Ministro-Chefe da Casa Civil do Jango, foi senador, foi criador da LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação). Quando era vice-governador, tinha uma subsecretaria de Obra e Cultura.

Ele fez os CIEPs, onde existia uma formação cultural para as crianças. Foi um dos entusiastas que fizeram o Sambódromo, institucionalizando o samba, que é um ritmo que vem dos morros e não da elite. O Sambódromo era um CIEP com mais de 5 mil alunos, que funcionava o ano inteiro.

O Darcy transita para além do PDT, ele é um símbolo. Você encontra resistências, por exemplo, ao Brizola – até dentro da própria esquerda –, mas ainda não encontrei um ser humano que não gostasse do Darcy. Ele pensava a cultura com um pensamento de baixo para cima, como ferramenta de emancipação do povo brasileiro. Ele entendia a cultura como disputa ideológica.

O que a eleição de Ciro e do PDT para a Presidência da República pode representar para o Brasil e para a nossa cultura?

O projeto de nação do Ciro tem que passar pelo projeto de emancipação cultural do Brasil. Nosso projeto é um projeto trabalhista, com o qual o Ciro está alinhado e do qual será o nosso grande representante. Nós temos que mergulhar naquilo que o PDT já construiu, naquilo que o trabalhismo já fez para contribuir com a cultura no Brasil. E, dentro de nossa base ideológica, construir com outras pessoas e não deixar o projeto fechado.

É um projeto que tem que ser construído diariamente. O acúmulo que eu talvez tenha para poder contribuir com a cultura é diferente do acúmulo que um companheiro pedetista de outro estado pode ter. Todos podem somar. Queremos contribuir com um plano de governo para o Ciro.

Precisamos reinventar nossa plataforma de cultura, pegando algumas experiências de políticas públicas acertadas que tivemos na gestão do Gilberto Gil, do Juca Ferreira, como os “pontos de cultura”, que trouxeram a cultura popular para dentro do Estado. Revisar a Lei Rouanet, para que os recursos sejam distribuídos de forma mais democrática, dentro de uma plataforma de justiça, que não sejam apenas para as grandes empresas e grandes produtores.

A cultura está totalmente atrelada ao projeto de país que o PDT defende e que o Ciro defende para a eleição de 2018.

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Bruno Ribeiro

Secretário Nacional de Comunicação da FLB-AP.

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