03 APR 18

“A política não é mera expressão da vontade”, por João Herminio

A política não é mera expressão da vontade

Por João Herminio Marques

A inquieta juventude não entende. Os incautos adultos não conseguem compreender. Mas se trata de uma verdade inconteste: a política não é mera expressão das nossas vontades. O que não pode significar jamais a ausência de vontades coletivas e organizadas, a falta de projeto e de objetivos intermediários e finais, no fazer política. Afinal, quando não há vontade coletiva, a política se torna obra do fisiologismo e do carreirismo.

Senadora da República pelo estado do Tocantins, ex-ministra, ex-presidente da Confederação da Agricultura e da Pecuária do Brasil (CNA), sendo oposição contra a atual direção dessa entidade, Kátia Abreu filiou-se ontem no PDT, e aguarda uma decisão da justiça eleitoral para saber se poderá concorrer ao governo de seu estado (questão de prazo de filiação em eleição suplementar).

Não se pode pensar em projeto nacional de desenvolvimento sem planejar o agronegócio, um dos setores mais importantes da economia brasileira. O Brasil ainda é extremamente dependente do “Agro”. E não se muda a realidade ignorando a própria realidade. Parece óbvio, porém há ingenuidade de todos os tipos e em todos os lugares.

Desenvolver a capacidade produtiva agroindustrial nacional não significa endossar nem apoiar o latifúndio improdutivo, nem mesmo a falta de direitos trabalhistas e sociais aos trabalhadores rurais, muito menos ignorar as questões indígenas e quilombolas tão conflitantes nos vastos campos brasileiros. Quem pensa que uma coisa exclui todas as outras é movido ao cego binarismo esquerdista, claramente inapropriado para responder a grave crise de nosso país.

Frente ampla é isso! Está para além de nossos marcos ideológicos e de nossos limites de classe! Uma grande concertação para salvar a nação do golpismo orquestrado pelo imperialismo e pelos banqueiros! Os maiores inimigos dos “produtores” rurais são o império norte-americano, que quer destruir a competitividade do agronegócio brasileiro, e depois os banqueiros, com suas altas taxas de juros que geram endividamento principalmente nos pequenos e médios “produtores”.

As aspas são para que mesmo em meio a amplitude, tão necessária, jamais esqueçamos que quem produz é quem trabalha. Jamais deixaremos de lutar para que um dia todo o produto de quem sua seja do suor de quem trabalha, para que toda a Terra pertença aos produtivos, os trabalhadores fortes e fecundos.

E justamente para concretizar esses objetivos finais, que precisamos avançar na etapa nacional-libertadora, por meio da frente ampla em torno do projeto nacional e popular.

Que venha a Kátia Abreu! Que venha com toda a sua disposição contra o golpismo, disposição demonstrada desde a votação do impeachment até as posições contrárias às reformas trabalhista e previdenciária! Que venha Kátia Abreu, figura de centro, para o PDT, uma legenda histórica de centro-esquerda! Que venha Kátia Abreu para garantir ao Ciro Gomes um bom palanque em Tocantins e uma grande rede de apoio no agronegócio.

Eleger Ciro Gomes, eis a mais urgente tarefa dos e das patriotas.

João Herminio Marques é advogado e membro do Comando Nacional da Organização A Marighella, bem como exerce, no PDT do Rio Grande do Sul, a função de secretário estadual de nucleação de base da Fundação Leonel Brizola-Alberto Pasqualini.

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Bruno Ribeiro

Secretário Nacional de Comunicação da FLB-AP.

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