09 FEB 18

“Crivella redimensiona Brizola”, por Caio Barbosa

Guerra à cultura do Carnaval mostra a grandeza e importância do ex-governador do Rio

*Por Caio Barbosa

Rio de Janeiro, 9/2/2018 – A gestão do prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, entre sua infinidade de erros, tem também pontos positivos. Sobretudo para uma nova geração que está redescobrindo Leonel Brizola e sua importância como homem público deste país. Geração em que me incluo, muito embora nunca tenha negado ou minimizado a grandeza do ex-governador. Muito pelo contrário. Mas confesso que ele tem atingido novas dimensões.

Sou da Geração Sambódromo. Não tenho lembranças do carnaval na Presidente Vargas. Conheço, por dever de ofício e paixão pela festa, toda a história da construção da Marquês de Sapucaí, sobretudo em razão dos custos estratosféricos e dos transtornos causados pelo monta-e-desmonta das arquibancadas móveis no coração do Centro do Rio. Mas o fato é já “nasci” com o Sambódromo, o que acabou fazendo com que, naturalmente, eu não desse a devida dimensão à obra. Sem jamais desmerecê-la, que fique claro. Mas para mim, e sei que para muitos, até o advento da gestão Crivella, a Sapucaí se tratava de uma passarela do samba, algo tão natural para o Rio, a cidade do Carnaval, como o Maracanã para o futebol. Já fazia parte da paisagem, digamos assim.

No entanto, o prefeito Marcelo Crivella e seu indisfarçável preconceito contra o Carnaval e a cultura africana, registrado, inclusive, com tintas fortes em um de seus livros, redimensiona a obra de Leonel Brizola. Vejam vocês, meus caros leitores, que em pleno 2018, enquanto o prefeito da Cidade Maravilhosa, inacreditavelmente, declara guerra contra a maior festa popular do país e símbolo de um povo, há 34 anos, ainda durante a ditadura civil-militar, um governador, perseguido por esta mesma ditadura e grande parte da elite do país, que sangrou e ofereceu a vida em favor das liberdades e da democracia neste país, ergueu não apenas uma passarela do samba, mas um colossal monumento de resistência e de afirmação de uma cultura que é parte fundamental da formação do nosso povo. E que por séculos foi esquecida, apagada da história e dos livros de história.

Herói da pátria brasileira, de fato e de direito, Leonel de Moura Brizola tem extenso currículo de serviços prestados à nação, com destaque absoluto para a educação pública, com a construção de mais de 6 mil escolas primárias que acabaram com o analfabetismo no Rio Grande do Sul, e mais de 500 CIEPs no Rio de Janeiro, no maior projeto educacional do país, destruído pelo seu sucessor, Moreira Franco, que hoje não por acaso dita as regras no Governo Federal em sua cruzada já não mais contra a educação pública apenas, mas uma série de conquistas trabalhistas garantidas pela turma do… Brizola.

A questão aqui, no entanto, é Carnaval. E é curioso ver que o mesmo governador que fez escolas, que levou energia elétrica para todas as residências do Estado, deu título de posse a famílias que viviam na indigência, criou universidade pública, Linha Vermelha (a única via expressa sem pedágio da cidade), encampou empresas de ônibus enfrentando a máfia dos transportes, transformou a CEDAE na maior companhia pública de águas do planeta, também deu espaço (e que espaço!), vez e voz à nossa maior expressão popular, que é o Carnaval. Mesmo com o Estado quebrado, mesmo contra tudo e contra todos. Ou já esquecemos do Escândalo Proconsult?

O sambódromo, meus amigos, e aí eu preciso agradecer ao Crivella, já não estará na minha memória como uma marca do governo Leonel Brizola em favor dos desfiles das escolas de samba. O sambódromo é um monumento gigantesco (em todos os sentidos) em defesa de um povo que sempre foi tratado como nada. O sambódromo é símbolo de um tempo em que cuidar das pessoas não era um slogan fajuto e eleitoreiro, mas uma prática cotidiana de um político que enfrentou os adversários mais poderosos e desleais, e sempre de cabeça erguida.

O sambódromo é um gigante que ganha vida e colorido durante o período momesco, mas no restante do ano (agora sem as escolas que ali existiam) segue ali para mostrar que em algum momento nesta Rio de Janeiro houve alguém que fez da base da nossa injusta pirâmide social prioridade do seu governo e de sua vida como homem público. Soluções existem. Falta vontade política.

Viva o Sambódromo.

Viva Leonel Brizola.

Viva o Carnaval.

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Bruno Ribeiro

Secretário Nacional de Comunicação da FLB-AP.

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