31 DEC 17

#Retro2017 | Mário Juruna: cacique Xavante, pedetista engajado e parlamentar combativo

O único indígena que chegou à Câmara dos Deputados, Mário Juruna merece uma vaga na #Retro2017.

Confira!

Mário Juruna: cacique Xavante, pedetista engajado e parlamentar combativo

Ao lado de Leonel Brizola, o líder indígena fez história, em 1982, ao se eleger deputado federal pelo Rio de Janeiro

* Por Bruno Ribeiro

Brasília, 17/4/2017 – Os indígenas, historicamente, sempre utilizaram o arco e flecha como arma de ataque e defesa. Esse conceito foi atualizado com o surgimento para o mundo do cacique Xavante Mário Juruna, primeiro e único índio brasileiro a se tornar deputado federal pelo PDT, em 1982, durante a marcha da oposição ao regime militar. Nas suas mãos, um gravador para registrar, segundo ele, ‘as promessas do homem branco’.

“Eu nasci para morrer, eu nasci para brigar. Não nasci para ser expulso. Por que estou dentro do Brasil que é do índio… Eu nasci para isso”, exaltava Juruna, que tinha na personalidade forte uma marca.

Combativo no Congresso, marcou seu mandato por lutar pelos direitos dos indígenas. No enfrentamento do preconceito e do retrocesso, criticava as políticas públicas e alertava para a relação com as entidades responsáveis pela relação com as etnias espalhadas por todo a nação. “Eu disse aos Xavantes: Muito cuidado com o branco, com a FUNAI. Não se vendam e não se entreguem. O salário não é importante, a vida é muito importante. Briga interna é o que o homem branco e a FUNAI querem”, relatava o cacique, que concluiu sua passagem de quatro anos, no Congresso, com a criação da Comissão Permanente do Índio.

Reconhecimento

No PDT, Juruna, que faleceu no dia 17 de julho de 2002, sempre foi, rotineiramente, exaltado por toda a militância. Para Darcy Ribeiro, as novas gerações de índios, armados de uma forma mais atual para garantir sua defesa, geram antipatiam de setores da socidade brasileira. O maior exemplo e símbolo, segundo ele, foi justamente o cacique pedetista.

“Ao meu juízo, Mário Juruna pode ser considerado um dos melhores, se não o melhor deputado da legislatura passada (1983 – 1986), se eles se julgam por sua eficácia na defesa daqueles que se propõem representar. Muitas vezes sua ação pareceu ridícula e foi propositadamente deformada na imprensa. Mas é de notar que suas posturas intempestivas se realizavam sempre a partir de uma posição ética, tal como ocorreu quando provou que Maluf subornava deputados”, garantiu Darcy.

Para o presidente da FLP-AP e secretário-geral do PDT, Manoel Dias, a vitória do indígena na eleição foi a materialização do projeto que o partido representava na concepção de Leonel Brizola. “Absorver (com Juruna) os setores da sociedade que não eram contemplados pelo status vigente no país. Organizando esses setores, nós pudéssemos fazer a verdadeira revolução democrática, que contemplava, primeiro, a inclusão de todos eles no poder de decisão e, segundo, ser membros efetivos de uma nação tão rica como o Brasil”, relatou.

O presidente nacional da sigla, Carlos Lupi, fez questão de exaltar o lado humano e as peculiaridades do ex-parlamentar. “Foi uma pessoa que eu tive oportunidade de conhecer no começo do PDT, por volta de 1981. Juruna era um índio desconfiado. Todos devem lembrar do seu gravador enorme, pois eles não confiava no branco. O índio estava casando de ser enganado pelo branco, que muita coisa prometia, mas nada cumpria, conforme ele falava”, disse.

Força do Movimento

Atualmente, seu legado é resgatado e fortalecido com a criação do Movimento Indígena do PDT (MOVI-PDT), liderado por seu neto, Rafael Weree, que concedeu entrevista exclusiva ao jornalista da FLB-AP, Paulo Ottaran.

“Ele deixou um símbolo muito bom, que é a honestidade indígena. Essa construção atual, no partido, é a retomada da luta iniciada por ele na vida política. A história ficou marcada e os jovens têm como referência o único deputado federal que lutou pelos povos indígenas no Brasil”, afirmou Weree, que já desenvolve ações de formação política com Xavantes e destaca o planejamento para expandir a abrangência para as tribos espalhadas em todas as regiões do país.

Para conferir a entrevista completa, acesse: migre.me/ws4YD.

Origem

Nascido no Mato Grosso, o indígena recebeu esse nome em função de uma homenagem que seu pai buscou fazer ao membros de uma tribo, vizinha à aldeia Xavante, que levavam essa nomenclatura. Já o significado, na sua língua, representa “bocas pretas”, pois remetem à pintura corporal característica por uma linha que desce da raiz dos cabelos e circunda a boca.

Bruno Ribeiro

Secretário Nacional de Comunicação da FLB-AP.

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