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O Golpe de 64 foi dado pelos empresários de São Paulo

A falta que faz uma análise materialista do percurso de Leonel Brizola em meio às contradições entre as classes sociais e o projeto dele que fracassou. Esse fracasso tem de ser compreendido pela conexão entre a estrutura de classe e a representação política.
 
Leonel Brizola foi derrotado vítima do colonialismo interno de São Paulo, a ponta de lança do imperialismo norte-americano.
 
O golpe de 64 foi arquitetado pela burguesia bandeirante, mais do que Minas Gerais e Rio de Janeiro com Magalhães Pinto e Carlos Lacerda.
 
As Forças Armadas deram um golpe bandeirante.
 
Depois de 1979 cindiu a representação política do trabalho. O PC acabou no PPS, o Partido dos Trabalhadores recusou o trabalhismo pré-64. Os sindicatos de empresas multinacionais deram um corte no percurso partidário de Leonel Brizola. O general Golbery do Couto e Silva tirou a legenda do PDT de Leonel Brizola e paparicou a emergência de uma nova liderança sindical em São Paulo.
 
O PT é a classe operária depois de 1964 com as fábricas multinacionais sediadas em São Paulo.
 
A propósito dos interesses dos trabalhadores em fábricas multinacionais, é preciso dizer que o PT não expressa os interesses socialistas de uma classe operária comunista, tendo um projeto revolucionário de transformação social, mas sim os interesses econômicos imediatos tradeunistas.
 
Segundo Leonel Brizola, as idéias socialistas deveriam fazer parte do PDT. Ainda que possam existir dentro do PT militantes socialistas, não se pode vinculá-lo ao marxismo.
 
O livro de Darcy Ribeiro, O Dilema da América Latina, escrito no começo dos anos 70, deu ênfase à questão da massa marginalizada da população. É um livro marxista sobre a acumulação capitalista de que o pauperismo é conseqüência.
 
Darcy Ribeiro, à maneira de Trotsky, dizia que o exército dos desocupados não pode ser visto como exército de reserva na concepção clássica de Marx. É que existe uma massa de gente que não tem esperança de vir a se ocupar produtivamente, uma população que está de antemão condenada a ser desocupada permanentemente: cada vez aparece mais gente que engrossa essa massa de desocupados, gente que nunca teve emprego e não terá nunca, uma infraclasse entre o proletariado e o semi-proletariado que vive de caridade e de migalhas.
 
Darcy Ribeiro referindo-se à América Latina, dizia: estamos vivendo na época do emprego impossível.
 
O exército industrial de reserva não é um conceito que expressa o movimento real da sociedade latino-americana, porque a maioria da população está situada abaixo da classe operária e não tem condições de ser absorvida.
 
O fenômeno da não-absorção da força de trabalho não ocorre apenas nas sociedades subdesenvolvidas. Isso também existe nos países desenvolvidos com capital investido mais no trabalho constante do que no trabalho variável, mais na maquinaria do que na força de trabalho.
 
O exército industrial de reserva é necessário ao processo de acumulação de capital, só que no Brasil não é o exército industrial de reserva nem a superpopulação relativa, porque dada a presença do imperialismo na economia brasileira, essa massa marginalizada é um elemento estrutural que aumenta a cada dia.
 
Tendo em vista os efeitos da acumulação de capital nos países da América Latina, o PDT foi concebido para responder ao pauperismo e a não-absorção da força de trabalho no mercado.
 
Convém lembrar que existe conexão entre a aristocracia operária nos países desenvolvidos e a super-exploração do trabalho nos países subdesenvolvidos, assim como nos países subdesenvolvidos uma parcela da classe operária se aristocratiza nas empresas multinacionais em São Paulo.
 
O PT surge na sede do colonialismo interno paulista. O PDT nascerá no Rio de Janeiro, onde a presença da massa marginalizada da população é enorme.
 
No Rio de Janeiro não existe abismo entre a classe operária e a marginalização da força de trabalho. A classe operária mora nos mesmos lugares das infra-classes.
 
O PDT canalizou sua atenção para os bolsões marginalizados e miseráveis da população. Para os fundadores do PDT, existia inter-relação entre o domínio multinacional e o crescimento da população excedentária.
 
O capital monopolista estrangeiro é o fator causal explicativo da marginalização da força de trabalho. E não se trata de uma anomalia, e sim da estrutura do desenvolvimento do subdesenvolvimento. É com esse ideário que o PDT surgiu como partido político na história do Brasil.

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