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	<title>Fundação Leonel Brizola - Alberto Pasqualini</title>
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	<description>Site da Fundação Leonel Brizola</description>
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		<title>A Economia Invisível da Amazônia</title>
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		<pubDate>Thu, 18 Aug 2011 19:57:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Há milênios centenas de povos habitam a Amazônia. Durante a história (uns diriam pré-história) os indígenas estabeleceram sistemas econômicos baseados no manejo dos ecossistemas naturais e em cultivo capazes não apenas de coexistirem com ecossistemas naturais, como também de enriquecê-los. Aliado a isto desenvolveram redes de intercâmbios de produtos bastante sofisticados, como o Manako praticado [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>Há milênios centenas de povos habitam a  Amazônia. Durante a  história (uns diriam pré-história) os indígenas  estabeleceram sistemas  econômicos baseados no manejo dos ecossistemas  naturais e em cultivo  capazes não apenas de coexistirem com ecossistemas  naturais, como  também de enriquecê-los.<span id="more-2814"></span> <img title="Mais..." src="http://www.flb-ap.org.br/wp-includes/js/tinymce/plugins/wordpress/img/trans.gif" alt="" />Aliado  a isto desenvolveram  redes de intercâmbios de produtos bastante  sofisticados, como o Manako  praticado por diversos povos dos Rios Purus  e Juruá. Estes sistemas  econômicos foram capazes de gerar grande  abundância de produtos. Fr.  Carvajal, cronista da expedição de  Orellana, ao chegar numa aldeia no  ano de 1540 escreve: “grande  quantidade de carne, peixes e biscoitos,  tudo com tanta abundância que  era suficiente para alimentar uma força  expedicionária de mil homens  durante um ano inteiro” (CARVAJAL.  Descubrimiento del Rio de las  Amazonas).Essa diversidade foi possível graças ao desenvolvimento de  tecnologias  de manejo e cultivo. Centenas, talvez milhares de espécies  vegetais  foram domesticadas, entre elas a macaxeira, o milho, o tomate,  a batata,  a pupunha e tantas outras. Também se criou tecnologia de  utilização de  diversos outros produtos como o açaí, a bacaba, o buriti e  a copaiba.&nbsp;</p>
<p>Com o processo da conquista européia esta fartura parece ter deixado  de  existir gradativamente. Período após período menos registros se fez   sobre tal produção. Os registros da economia da Amazônia foram então se   estabelecendo com base nos valores das exportações de produtos que   tinham um “bum” e depois decaiam. Pouco se sabe sobre como as populações   locais sobreviviam quando não estavam sendo exploradas por sistemas de   produção para exportação dos produtos.</p>
<p>Alguém que se dedique a verificar com cuidado os dados históricos  poderá  verificar que existe um paradoxo entre os dados econômicos  oficiais e a  situação de bem estar da maioria da população amazônica:  Quanto maior a  economia, maior a fome e a degradação social.</p>
<p>Na atualidade, andando pelos recantos da Amazônia, se nota muitas  zonas  de bastante miséria. Mas também é possível encontrar muitos  lugares onde  a população consegue gerar abundancia de alimentos e de  alegrias,  independente de estarem ligadas a mercados externos.</p>
<p>Extremamente acuadas pela pressão do capitalismo, as formas de  produção  que deram origem já naqueles tempos a tamanha fartura  continuam a  existir. O problema de sua invisibilidade é primeiro um  desinteresse  político de quem vê a ecomonia apenas como crematística.  Crematística é  arte de fazer dinheiro. “Como arte de adquirir, a  economia se limita à  obtenção dos bens necessários à vida e úteis a  família ou ao Estado. ‘A  verdadeira riqueza consiste nesses [leia-se  nos] valores-de-uso’ [...]. A  crematística distingue-se da economia,  por ser a circulação para ela a  fonte de riqueza”. (Aristóteles apud  MARX, O Capital, Livro I – O  Processo de Produção do Capital). Um  segundo fator é a falta de  mecanismos e instrumentos de mensuração  destas economias.</p>
<p>O fato dos economistas e dos governos fecharem os olhos para estas   possibilidades de produção fora do mercado de exportação e de não   enxergarem as pessoas do interior do Estado como sujeitos e como gente   com direitos, continua ampliando a miséria e a fome.</p>
<p>Essa situação precisa mudar. A visão meramente crematística não dá  conta  de atender as necessidades da sociedade como um todo e, em  inúmeros  casos, tira o direito de populações inteiras de acesso a  condições  básicas de vida digna. Além disto, tem causado profundos  desequilíbrios  ambientais que ameaçam inclusive a existência da espécie  humana no  planeta. “Não é possível que a economia vá bem se as pessoas  estão mal e  se a ecologia está ruim” (ALIER, Da Economia Ecológica ao  Ecologismo  Popular).</p>
<p>Diante da diversidade Amazônica devemos, em especial, os economistas,   ser criativos a ponto de criar formas de perceber e apontar caminhos  que  garantam segurança e esperança para um futuro bonito, alegre e de   fartura.</p>
</div>
<p><em><strong>Por Maurício Adu Schwade</strong></em><br />
<em><strong> Economista</strong></em><br />
<em><strong> Casa da Cultura do Urubuí</strong></em></p>
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		<title>Os porquês da fome na África</title>
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		<pubDate>Wed, 17 Aug 2011 19:55:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Vivemos em um mundo de abundância. Hoje se produz comida para 12 bilhões de pessoas, segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), quando no planeta habitam 7 bilhões. Comida existe. Então, por que uma em cada sete pessoas no mundo passa fome? A emergência alimentar que afeta mais [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Vivemos  em um mundo de abundância. Hoje se produz comida para 12  bilhões de  pessoas, segundo dados da Organização das Nações Unidas para  a  Agricultura e a Alimentação (FAO), quando no planeta habitam 7  bilhões.  Comida existe. Então, por que uma em cada sete pessoas no  mundo passa  fome?<img title="Mais..." src="http://www.flb-ap.org.br/wp-includes/js/tinymce/plugins/wordpress/img/trans.gif" alt="" /><span id="more-2811"></span></p>
<p>A emergência alimentar que afeta mais de 10  milhões de pessoas no  Chifre da África voltou a colocar na atualidade a  fatalidade de uma  catástrofe que não tem nada de natural. Secas,  inundações, conflitos  bélicos… contribuem para agudizar uma situação de  extrema  vulnerabilidade alimentar, mas não são os únicos fatores que a   explicam.</p>
<p>A situação de fome no Chifre da África  não é novidade. A Somália  vive uma situação de insegurança alimentar há  20 anos. E,  periodicamente, os meios de comunicação nos atingem em  nossos  confortáveis sofás e nos recordam o impacto dramático da fome no  mundo.  Em 1984, quase um milhão de pessoas mortas na Etiópia; em 1992,  300  mil somalis faleceram por causa da fome; em 2005, quase cinco  milhões  de pessoas à beira da morte no Malaui, só para citar alguns  casos.</p>
<p><strong>Causas políticas</strong></p>
<p>A  fome não é uma fatalidade inevitável que afeta determinados  países. As  causas da fome são políticas. Quem controla os recursos  naturais (terra,  água, sementes) que permitem a produção de comida? A  quem beneficiam as  políticas agrícolas e alimentares? Hoje, os  alimentos se converteram em  uma mercadoria e sua função principal,  alimentar-nos, ficou em segundo  plano.</p>
<p>Aponta-se a seca, com a consequente perda  de colheitas e gado, como  um dos principais desencadeadores da fome no  Chifre da África, mas como  se explica que países como Estados Unidos ou  Austrália, que sofrem  periodicamente secas severas, não sofram fomes  extremas? Evidentemente,  os fenômenos meteorológicos podem agravar os  problemas alimentares,  mas não bastam para explicar as causas da fome.  No que diz respeito à  produção de alimentos, o controle dos recursos  naturais é chave para  entender quem e para que se produz.</p>
<p>Em  muitos países do Chifre da África, o acesso à terra é um bem  escasso. A  compra massiva de solo fértil por parte de investidores  estrangeiros  (agroindústria, governos, fundos especulativos) tem  provocado a expulsão  de milhares de camponeses de suas terras e  diminuido a capacidade  desses países de se autoabastecerem.  Assim,  enquanto o Programa Mundial  de Alimentos tenta dar de comer a milhões  de refugiados no Sudão,  ocorre o paradoxo de os governos estrangeiros  (Kuwait, Emirados Árabes  Unidos, Coreia) comprarem terras para produzir  e exportar alimentos para  suas populações.</p>
<p><strong>Ajustes estruturais</strong></p>
<p>Asim  mesmo, há que se recordar que a Somália, apesar das secas  recorrentes,  foi um país autossuficiente na produção de alimentos até o  final dos  anos 1970. Sua soberania alimentar foi arrebatada em décadas   posteriores. A partir dos anos 1980, as políticas impostas pelo Fundo   Monetário Internacional e o Banco Mundial para que o país pagasse sua   dívida com o Clube de Paris forçaram a aplicação de um conjunto de   medidas de ajuste.</p>
<p>No que se refere à  agricultura, estas implicaram em uma política de  liberalização comercial  e abertura de seus mercados, permitindo a  entrada massiva de produtos  subvencionados, como o arroz e o trigo, de  multinacionais  agroindustriais estadunidenses e europeias, que  começaram a vender seus  produtos abaixo de seu preço de custo e fazendo  a competição desleal com  os produtores autóctones.</p>
<p>As desvalorizações  periódicas da moeda somali geraram também a alta  do preço dos insumos e o  fomento de uma política de monocultivos para a  exportação que forçou,  paulatinamente, o abandono do campo. Histórias  parecidas se deram não só  nos países da África, mas também nos da  América Latina e Ásia.</p>
<p>A  subida do preço de cereais básicos é outro dos elementos  assinalados  como detonante da fome no Chifre da África.  Na Somália, os  preços do  milho e do sorgo vermelho aumentaram 106% e 180%,  respectivamente, em  apenas um ano. Na Etiópia, o custo do trigo subiu  85% em relação ao ano  anterior. E, no Quênia, o milho alcançou um valor  55% superior ao de  2010.</p>
<p><strong>Na Bolsa de Valores</strong></p>
<p>Uma  alta que converteu esses alimentos em inacessíveis. Mas, quais  são as  razões da escalada dos preços? Vários indícios apontam a  especulação  financeira com as matérias-primas alimentares como uma das  causas  principais.</p>
<p>O preço dos alimentos se determina  nas bolsas de valores – a mais  importante das quais, a nível mundial, é a  de Chicago –, enquanto que  na Europa os alimentos se comercializam nas  bolsas de futuros de  Londres, Paris, Amsterdã e Frankfurt. Mas hoje em  dia, a maior parte da  compra e venda dessas mercadorias não corresponde a  intercâmbios  comerciais reais.</p>
<p>De acordo com  Mike Masters, do Hedge Fund Masters Capital  Management, calcula-se que  75% do investimento financeiro no setor  agrícola é de caráter  especulativo. Compram-se e vendem-se  matérias-primas com o objetivo de  especular e fazer negócio,  repercutindo finalmente em um aumento do  preço da comida para o  consumidor final. Os mesmos bancos, fundos de  alto risco, companhias de  seguros que causaram a crise das hipotecas  subprime são os que hoje  especulam com a comida, aproveitando-se dos  mercados globais  profundamente desregulados e altamente rentáveis.</p>
<p><strong>Transnacionais</strong></p>
<p>A  crise alimentar em escala global e a fome no Chifre da África em   particular são resultado da globalização alimentar a serviço dos   interesses privados. A cadeia de produção, distribuição e consumo de   alimentos está nas mãos de umas poucas multinacionais que antepõem seus   interesses particulares às necessidades coletivas e que, ao longo das   últimas décadas, vêm destruindo, com o apoio das instituições   financeiras internacionais, a capacidade dos países do sul de decidir   sobre suas políticas agrícolas e alimentares.</p>
<p>Voltando  ao princípio: por que existe fome em um mundo de  abundância? A produção  de alimentos se multiplicou por três desde os  anos 1960, enquanto que a  população mundial tão só duplicou desde  então. Não estamos enfrentando  um problema de produção de comida, mas  sim um problema de acesso a ela.  Como assinalou o relator da ONU para o  direito a alimentação, Olivier de  Schutter, em uma entrevista ao  jornal El País: “A fome é um problema  político. E uma questão de  justiça social e políticas de  redistribuição”.</p>
<p>Se queremos acabar com a fome no  mundo, é urgente apostar em outras  políticas agrícolas e alimentares  que coloquem no seu centro as  pessoas, as suas necessidades, aqueles que  trabalham a terra e o  ecossistema. Apostar no que o movimento  internacional da Via Campesina  chama de “soberania alimentar” e  recuperar a capacidade de decidir  sobre aquilo que comemos. Tomando  emprestado um dos lemas mais  conhecidos do Movimento 15-M, é necessário  uma “democracia real, já” na  agricultura e na alimentação.</p>
<p><em><strong>Por Esther  Vivas, do Centro de Estudos sobre Movimentos  Sociais da Universidad  Pompeu Fabra, é autora de Del campo al plato.  Los circuitos de  producción y distribución de alimentos.</strong></em></p>
<p><em><strong>Publicado originalmente no El País.</strong></em></p>
<p><em><strong>Tradução: Paulo Marques</strong></em></p>
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		<title>O extermínio negro direto e indireto como parte do projeto de poder no Brasil</title>
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		<pubDate>Sun, 14 Aug 2011 19:52:29 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Em maio de 2011 o governo federal definiu o limite da miséria &#8211; renda de até R$ 70 por mês &#8211; e divulgou que 16,2 de pessoas se encaixam nele. Uma semana depois, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou a cor ou raça declarada deste grupo de pessoas. De acordo com os [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em   maio de 2011 o governo federal definiu o  limite da miséria &#8211; renda de   até R$ 70 por mês &#8211; e divulgou que 16,2 de  pessoas se encaixam nele.   Uma semana depois, o IBGE (Instituto  Brasileiro de Geografia e   Estatística) divulgou a cor ou raça declarada  deste grupo de pessoas.  <img title="Mais..." src="http://www.flb-ap.org.br/wp-includes/js/tinymce/plugins/wordpress/img/trans.gif" alt="" /><span id="more-2808"></span>De  acordo com os dados, 4,2 milhões dos  brasileiros pobres se  declararam  brancos e 11,5 milhões pardos ou pretos  &#8211; isso significa que  o número  de pobres negros é 2,7 vezes o número de  pobres brancos.</p>
<p>Não  bastassem as mazelas sociais que afligem historicamente a   população  negra por meio do subemprego, do desemprego, da falta de   moradia, da  falta de oportunidades e do desumano e permanente   preconceito e  discriminação racial em todo e qualquer ambiente social,   percebe-se a  vigência de um projeto de extermínio da população negra,   por parte do  Estado brasileiro.</p>
<p>O Estado e suas polícias mantêm uma atuação  coercitiva,   preconceituosa e violenta dirigida a população negra.  Desrespeito,   agressões, espancamentos, torturas e assassinatos.</p>
<p>Em  julho de 2009 a Secretaria Especial dos Direitos Humanos, UNICEF e   o  Observatório de Favelas divulgam resultados de sua pesquisa, e os   dados  são estarrecedores: 33,5 mil jovens serão executados no Brasil no    curto período de 2006 a 2012. Os estudos apontam que os jovens negros    têm risco quase três vezes maior de serem executados em comparação  aos   brancos.</p>
<p>Conforme o “Mapa da Violência 2011: os jovens do  Brasil”, em 2002,  em  cada grupo de 100 mil negros, 30 foram  assassinados. Esse número  saltou  para 33,6 em 2008; enquanto entre os  brancos, o número de  mortos por  homicídio, que era de 20,6 por 100 mil,  caiu para 15,9. Em  2002, morriam  proporcionalmente 46% mais negros que  brancos. Esse  percentual cresce  de forma preocupante uma vez que salta  de 67% para  103%.</p>
<p>O último grave acontecimento foi a do  desaparecimento do menino  negro  Juan Moraes, morto aos 11 anos pela  polícia do Rio de Janeiro. O   genocídio negro já é admitido por parte da  imprensa nacional, a  exemplo  do jornal Correio Brasiliense, que após  cruzar dados de  mortalidade por  força policial do Ministério da Saúde e  das  ocorrências registradas nas  secretarias de Segurança Pública  do Rio de  Janeiro e São Paulo, revelou  que uma pessoa é morta  no Brasil pela  polícia a cada cinco horas e que  141 assassinatos são  realizados por  agentes do Estado a cada mês.</p>
<p>Soma-se a esse  quadro, a ação genocida indiretamente promovida   através do  encarceramento em massa de jovens e adultos em internatos,   fundações,  institutos de recuperação, cadeias, penitenciárias e   presídios. Espaços  onde a tortura e o completo desrespeito aos direitos   humanos são  rotina. A subserviência e a aliança entre grupos  políticos e   empresários junto ao tráfico internacional de drogas e o  consequente   mercado ao mesmo tempo fascina pelo “ganho” fácil, coopta e  vitimiza a   juventude.</p>
<p>Pesquisas e estudos demonstram no campo da formalidade  o que   vivenciamos no dia a dia de nossas comunidades. Presenciamos um  momento   de ofensiva de opressões por parte do Estado Brasileiro que por  sua  vez,  enxerga na população empobrecida, em especial na juventude  negra,  seu  principal inimigo.</p>
<p>Aos movimentos populares cabe a  permanente denúncia e a teimosia em   organizar a população para a  resistência e ação. A UNEafro-Brasil   soma-se a esse esforço no  cotidiano de sua atuação nos Cursinhos   Comunitários e nos Núcleos de  Cultura. Assumimos o desafio de, devagar e   sempre, fomentar uma nova  mentalidade, crítica, questionadora e  sedenta  por transformações,  elementos tão necessários para a  organização da  classe trabalhadora e  para a nossa vitória.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em><strong>Por Douglas Belchior &#8211; professor de  História e  integrante do conselho geral da União de  Núcleos de Educação  Popular  para Negros e Classe Trabalhadora (Uneafro).</strong></em></p>
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		<title>A década perdida para a Europa</title>
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		<pubDate>Thu, 11 Aug 2011 19:51:06 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[O rebaixamento da nota de classificação de risco dos Estados Unidos, pela Standard e Poor’s, gerou uma nova onda de pânico no mercado global. A segunda-feira 8 abriu com queda nas bolsas de valores do mundo inteiro – a Bovespa foi uma das mais prejudicadas, com queda de 8,08% – e o Banco Central Europeu tratou de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O rebaixamento da nota de classificação de risco dos Estados   Unidos, pela Standard e Poor’s, gerou uma nova onda de pânico no mercado   global. A segunda-feira 8 abriu com queda nas bolsas de valores do   mundo inteiro – a Bovespa foi uma das mais prejudicadas, com queda de   8,08% – e o Banco Central Europeu tratou de fortalecer os países do   bloco para evitar novos rebaixamentos, por meio da injeção de capital e   controle de taxas cambiais.<img title="Mais..." src="http://www.flb-ap.org.br/wp-includes/js/tinymce/plugins/wordpress/img/trans.gif" alt="" /><span id="more-2806"></span></p>
<p>O fenômeno repete a reação dos mercados após a quebra do banco Lehman   Brothers, em 2008, iniciando um processo de recessão econômica mundial   que se estende até hoje. Curiosamente, os títulos americanos foram os   únicos que apresentaram crescimento nesses últimos dias, o que, segundo  o  professor Francisco Lopreato, do departamento de Economia da  Unicamp,  sinaliza a confiança dos mercados no investimento, em  contrapartida à  decisão da SeP.</p>
<p>O professor, no entanto, aponta que dificilmente a economia mundial   irá escapar de uma nova queda. A diferença é justamente que os países já   gastaram tudo o que podiam em 2008 e não possuem mais recursos para   combater a nova queda. A Europa, diz ele, atravessa um período difícil,   do qual não conseguirá se levantar nos próximos dez anos, uma década   perdida, à semelhança da crise que a América Latina viveu nos anos 80.   Ninguém sairá ileso, mas o professor aponta para a possibilidade de o   Brasil aproveitar o momento para fortalecer sua indústria.</p>
<p>Confira abaixo a entrevista completa:</p>
<p><strong>CartaCapital: Qual sua opinião sobre a decisão da agencia Standard e Poor’s em rebaixar a nota dos EUA?</strong></p>
<p><strong>Francisco Lopreato:</strong> Concordo que os Estados Unidos   já não têm a posição que tinham há alguns anos. Esse debate no Congresso   americano, entre democratas e republicanos, capitaneados pelo Tea   Party, trouxe uma insegurança, mas daí a rebaixar é um pouco demais,   considerando a situação ainda dos Estados Unidos no mercado financeiro   internacional. Não é por outra razão que desde a sexta-feira os títulos   americanos subiram. Todo mundo correu para títulos americanos. É um   sinal de que o mercado pouco considerou a ideia da agência. Eu achei   precipitado. Se os Estados Unidos não são AAA, como ficam os outros   países? Teria que fazer uma reclassificação de vário outros. A decisão   precipitou esse movimento. Provavelmente, o que vai ocorrer é que os EUA   vão tentar desqualificar a avaliação da agência.</p>
<p><strong>CC: O senhor acredita que vão ocorrer rebaixamentos sucessivos?</strong></p>
<p><strong>FL:</strong> Para serem coerentes, deveriam ocorrer outros   rebaixamentos, como na França, porque a questão é relativa. Para a   agência ser coerente, consistente na análise,  teria que ser revisto o   ranking todo.  Mas, no meio dessa crise toda, se rebaixar vários países,   a coisa complica. Os Estados Unidos são AA+ e a França é AAA, será?   Ninguém correu para título francês. O mercado buscou segurança no título   americano.</p>
<p><strong>CC: Na semana passada, o Congresso aprovou a elevação do teto da dívida. Isso não demonstra uma preocupação com a dívida?</strong></p>
<p><strong>FL:</strong> É óbvio que,  com a crise, com a expansão da   atuação do Estado americano para salvar várias empresas, em diferentes   áreas, no setor industrial e bancos para evitar uma catástrofe, uma   crise violentíssima, o governo ampliou consideravelmente seu gasto e seu   déficit. Isso bateu no teto da dívida. Essa ideia de ampliar o teto da   dívida é uma coisa corriqueira, já aconteceu inúmeras vezes e nunca  foi  motivo de uma discussão mais aguda no Congresso americano. Era  quase que  imediata. O Congresso americano tem uma participação na  definição dos  gastos públicos e no controle das finanças públicas muito  maior do que,  por exemplo, o Congresso brasileiro. Essa negociação  sempre foi uma  coisa trivial nos Estados Unidos. O grande problema não  foi econômico,  foi político, um acirramento de discussão política entre  os dois  partidos, que transbordou obviamente para a economia. Se não  fosse essa  questão política, essa questão se daria como se deu em  várias outras  oportunidades. Claro, o mundo está passando de uma  dificuldade fiscal  por causa do papel que os governos tiveram para  segurar os efeitos da  crise de 2008.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>CC: O senhor acredita que está tendo uma divulgação excessiva que gera um alarmismo exagerado?</strong></p>
<p><strong>FL:</strong> A mídia acompanhou a disputa no Congresso   Americano, fez o papel dela, retratou a insegurança, o movimento   interno, mas juntou a questão econômica com a questão política interna   americana. Junto a isso, a agência rebaixou a dívida. Estão criando uma   série de fatores, provocando o “efeito manada”, que é quando o pessoal   olha e sai correndo. Daqui a pouco sossega. Isso pode acarretar   consequências graves para os países da Europa, que estão numa situação   mais complicada que os EUA. A situação nos Estados Unidos, não é que   esteja fácil, mas a situação na Europa está bastante complicada. Fora a   Alemanha, que está numa situação tranquila, o crescimento europeu é   pequeno, a dívida é grande. Isso pode ter um efeito muito grave.</p>
<p><strong>CC: E quanto aos gastos governamentais? </strong></p>
<p><strong>FL:</strong> De fato, os governos gastaram muito e com isso   elevou a dívida pública dos governos. Dificilmente, irá se conseguir   fazer uma nova rodada de gastos como foi feito em 2008 e a situação está   bem mais complicada. Isso porque, em 2008, se gastou muito e se   acreditou que economia iria se recuperar rapidamente. Houve uma   recuperação, mas longe do que eles imaginavam. Ela não caiu, mas andou   meio de lado. Sem o crescimento, fica difícil digerir esse estoque de   dívida que foi feito.  O que levou a isso foi uma desregulamentação do   sistema bancário. Deu-se dinheiro para os bancos e não se cobrou, não   foi feito nada, não se cobrou uma regulamentação dos bancos, imaginando   que só com a atuação do mercado iria retomar o crescimento da economia,  e  voltando a crescer, esse efeito que foi provocado pelo aumento de   gastos da dívida seria diluído no tempo, não teria problema, mas não foi   o que aconteceu</p>
<p>Depois da crise de 1929, foi feito uma serie de regulamentações.    Tanto a economia europeia quanto a americana não voltaram a crescer. Os   níveis de desemprego nos Estados Unidos é alto, o crescimento, ainda  que  melhor que na Europa, foi muito pequeno. A medida que se criaram  outras  tensões, o receio do peso da dívida começa a aflorar e isso pode   provocar  uma nova recessão como a de 2008, mas com governos com um  raio  de manobra bem menor do que se tinha em 2008, e com grande chances  de  acarretar um grande mergulho. A probabilidade de queda é grande.</p>
<p><strong>CC: Quais seriam saídas para lidar com essa situação?</strong></p>
<p><strong>FL:</strong> Aí que é complicado viu, vão ter que lidar com   as mesmas armas que utilizaram antes, mas com raio de manobra muitíssimo   menor. A resposta que está sendo cobrada do Banco Central Europeu é de   fazer um processo de ajuste e se eles levarem por esse lado, não tem   saída mesmo, o movimento vai ser de levar uma crise. O que eles   propuseram para os países, para a Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha,   Itália, França, Inglaterra, é o processo de contenção de gastos. Isso,   nesse quadro, vai acabar provocando a crise, em algum momento vão ter   que relaxar isso. Se eles não relaxarem, é aquela coisa: cortar gastos   em momento de recessão é enxugar gelo. Vão fazer esse processo e   arrastar essa crise por um período bastante longo. Não deve ter   recuperação para a economia europeia tão cedo. A Europa vai ter níveis   baixos de crescimento, que deve se arrastar por período relativamente   grande.</p>
<p>Nos anos 80, nós tivemos a crise da América Latina, a década perdida e   o Japão teve também sua década perdida nos anos 90, até mais de uma   década. Provavelmente, a Europa está caminhando para isso.</p>
<p><strong>CC: Quais as razões?</strong></p>
<p><strong>FL</strong>: O problema fiscal surgiu porque o governo teve   que intervir pesado para socorrer o problema bancário em 2008. Eles não   estavam com problema fiscal, que veio com o peso que o governo teve  para  intervir na economia. Fizeram isso e não cobraram nada em  troca. Essa  crise vai levar a uma definição de medidas mais  significativas das que  foram feitas em 2008. O governo vai ter que  fazer um ajuste fiscal, mas  vai ter um ajuste financeiro também. Vai  ter que existir um movimento de  regulamentação da atuação do sistema  financeiro. Para não deixar solto  novamente.</p>
<p><strong>CC: Por que explodiu em 2008 e por que explodiu novamente agora?</strong></p>
<p><strong>FL:</strong> A partir dos anos 80, houve um processo de   desregulamentação do sistema bancário e isso tomou uma magnitude enorme,   tanto nos Estados Unidos, como na Europa, no mundo inteiro. No Brasil,  a  regulamentação do sistema bancário é bem mais estreita que em outros   países, felizmente, e por isso não aprofundou tanto nessa crise. Nos   países avançados, essa desregulamentação foi muito aguda, e isso   propiciou uma série de movimentos, que eles chamavam de inovações   financeiras, que criou uma complexidade de formas financeiras nunca   vistas. Mundo financeiro é isso, em algum momento pode provocar uma   crise, quando, ninguém sabe.</p>
<p>O economista Nouriel Roubini dizia desde 2005 que a crise estava para   chegar. É uma crise mais ou menos previsível, porque o volume de   inovações financeiras e complexidade foram se tornando intrincadas   dentro do sistema financeiro, era claro que iria haver uma reversão.   Quando, ninguém podia saber. E se instalou no subprime americano.</p>
<p><strong>CC: Pode ser considerado fruto da imprudência?</strong></p>
<p><strong>FL:</strong> Num sistema liberalizado completamente, quem vai   ficar fora?. Se está ganhando, porque ser prudente? Se as operações   estão sendo lucrativas, algum banco vai deixar de fazer, por causa da   prudência?</p>
<p>Sempre acham que a coisa está bem, até dar errado. Tem uma chance de   ganhar. Todo mundo pensando assim, a história acaba em algum momento,   como aconteceu nos Estados Unidos. É um castelo de cartas, que contamina   o mundo inteiro.</p>
<p><strong>CC: E os emergentes? Podem sair ganhando? </strong></p>
<p><strong>FL:</strong> Numa crise dessas proporções, ninguém sai   ganhando, em princípio. A questão é ver quem perde menos. Uma crise   dessas afeta a todos, não tem como os países saírem ilesos dessa. É um   problema que afeta todo mundo, inclusive emergentes. No caso brasileiro,   o Brasil depende muito das commodities, do preço das commodities.    Vamos ver como vai ser comportar o preço. Se o preço cair, isso afeta   diretamente o mercado brasileiro.</p>
<p>Nós tivemos uma série de lançamentos que as empresas estavam buscando   capitais na bolsa para alavancar investimentos e que perderam muito  com  as quedas na bolsa. Não tem como não ter uma retroação e isso afeta  a  atividade de uma maneira geral. Por exemplo, os gastos públicos são   afetados porque a arrecadação vai cair junto. Em geral, esses países   perdem. Vai depender da atuação de cada país, por exemplo, no caso   brasileiro, estamos sofrendo problemas graves: um deles é a questão do   câmbio, que rebate diretamente no setor industrial. Então, podemos ser   compelidos e obrigatoriamente atuar nessas duas questões. Vai depender   de como o Brasil vai defender o setor industrial, que pode ser bastante   afetado, com a valorização do câmbio, que já está muito grande e causa a   perda de exportações.</p>
<p>A China tem uma relação muito forte com os Estados Unidos, tem um   volume muito grande de títulos americanos, é dona de 3 trilhões de   dólares de reservas americanas. Mas eu não acredito que vai ter qualquer   problema na dívida americana, então eles não devem ter problemas.   Provavelmente, como o mercado chinês é voltado para o mercado interno, o   país vai sofrer alguma coisa, mas nada que atrapalhe o crescimento,   talvez uma taxa um pouco menor, mas não vai ter recessão como nos EUA.   No Brasil, com essa crise, acredito que tenha uma desaceleração ainda   maior.</p>
<p><strong>CC: Qual risco de bolha no Brasil?</strong></p>
<p><strong>FL:</strong> Não acho que tenha esse risco. O mercado   brasileiro é bem regulamentado.  Os bancos brasileiros não se   alavancaram e entraram nos pacotes de inovação financeira como os bancos   europeus. Estão bastante enquadrados nas regras. Eu não acredito em   problemas. O que comentaram muito é o preço dos imóveis, que subiram   muito. O setor dos imóveis teve uma expansão bastante grande. Não dá pra   caracterizar isso como bolha, como aconteceu no mercado subprime   americano, porque o crédito no mercado imobiliário brasileiro é de uma   porcentagem baixa e os bancos não fizeram as loucuras no mercado   subprime brasileiro como nos Estados Unidos. O que eu imagino que   aconteça é um arrefecimento desse mercado imobiliário, que estava   explodindo. Algumas empresas que se alavancaram demais podem sentir, mas   é diferente de uma bolha como aconteceu nos EUA, que é o mercado como   todo. Talvez perca o dinamismo, mas não acredito em bolha.</p>
<p><strong>CC: E quanto à expansão do crédito, há algum perigo?</strong></p>
<p><strong>FL</strong>: Quando o governo Lula começou a subir os   créditos, o nosso patamar era de 20% do PIB. Estamos em um patamar muito   baixo. A base era muito pequena. Mais do que dobramos, porque nosso   patamar era muito pequeno. Já no final do governo Lula, o ritmo de   expansão disso já era muito menor. As famílias começam a se endividar,   mas ainda não está em um patamar alto.</p>
<p><strong>CC: E quanto à política de juros?</strong></p>
<p><strong>FL:</strong> Primeiro de tudo, não dá para pensar em aumentar   mais. O mercado estava esperando mais um aumento. Imagino que o BC não   vá fazer a insensatez, como o Meirelles que, às vésperas da queda do   Lehman Brothers, aumentou os juros. Acredito que, em principio, já   parou, não tem mais aumento de juros. E aí, a partir desse movimento,   dependendo do desenrolar, teremos que abaixar a taxa de juros.</p>
<p><strong>CC: E quanto à guerra cambial?</strong></p>
<p><strong>FL:</strong> O governo está no caminho certo, que é mexer no   mercado de derivativos. É esse o caminho certo. Com medidas mais   paliativas, tem efeito de curto prazo. Se mexe no IOF , o mercado se   adapta muito rápido, mas mexer no derivativos, é uma coisa mais   contundente. O câmbio está muito valorizado, o tesouro tem que estar   muito ativo. O governo deve continuar nesse mesmo caminho.</p>
<p><strong>CC: Qual o risco para o Brasil de manter as reservas internacionais em dólar?</strong></p>
<p><strong>FL:</strong> Não tem para onde correr. Vai continuar em   dólar, não tem muito que fazer. Não tem como ser diferente. Hoje, o Euro   é impensável. Não sabe nem se o Euro vai sobreviver.</p>
<p>De uma maneira geral, a posição do governo brasileiro é bastante   razoável. A atitude é de cautela, mas tem uma preocupação clara que o   governo deve manter o nível de atividade interna. O Brasil Maior está no   caminho certo.</p>
<p>Numa crise dessas, todos os países sofrem, mas os possíveis ganhos   vão depender da atuação, é como os países reagem a isso. Temos a   oportunidade de buscar um apoio ao setor industrial, no sentido da alta   tecnologia. O Brasil Maior está no caminho certo, aponta para uma   questão importante, que é o apoio ao setor industrial, para que ele   ganhe mais competitividade e possa sair fortalecido, mesmo numa situação   de crise mundial. (<em>Clara Roman </em><em>9 de agosto de 2011- Carta Capital)<br />
</em></p>
<p><em><br />
</em><em> </em></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Crise mundial?</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Aug 2011 19:49:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Nova crise mundial? As turbulências recentes trouxeram os piores temores à tona. Uma coisa é certa: os dois principais blocos econômicos – os EUA e a área do euro – ainda não se refizeram da crise de 2008-2009 e ameaçam experimentar uma recaída violenta. Nem os americanos nem os europeus superaram as sequelas do colapso [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nova crise mundial? As turbulências recentes trouxeram os piores   temores à tona. Uma coisa é certa: os dois principais blocos econômicos –   os EUA e a área do euro – ainda não se refizeram da crise de 2008-2009  e  ameaçam experimentar uma recaída violenta. <img title="Mais..." src="http://www.flb-ap.org.br/wp-includes/js/tinymce/plugins/wordpress/img/trans.gif" alt="" />Nem  os americanos nem os  europeus superaram as sequelas do colapso de  2008. Não enfrentaram as  raízes dos seus problemas – e ainda  conseguiram acumular novos!<span id="more-2804"></span></p>
<p>Um deles: a crise política – evidente dos dois lados do Atlântico   Norte. Outro problema, este não tão novo: o declínio relativo dos EUA e   da Europa. O cenário, por um lado, é de vácuo de liderança política nas   velhas potências, com rejeição da maioria dos governos pela população.   Por outro, EUA e Europa não conseguem exercer como antes a hegemonia  no  plano mundial. O mundo parece caminhar para uma multipolaridade   fragmentada e instável.</p>
<p>O declínio é mais nítido na Europa, às voltas com uma crise tremenda   na área do euro que, no limite, coloca em risco todo o projeto de   integração europeu. A crise atual deixou evidentes as fissuras da   institucionalidade europeia.</p>
<p>Por exemplo: a dificuldade de manter uma união monetária, em tempos   de crise, sem união fiscal e, sobretudo, união política. Quando os   ventos sopravam a favor, era possível manter na sombra as incoerências   do projeto de integração econômica e monetária. Desde 2010, entretanto,   multiplicam-se os sinais de que a área do euro não dá conta das tensões   desencadeadas pela crise. Os problemas acumulados ou disfarçados  durante  a fase de bonança estão estourando todos mais ou menos ao mesmo  tempo.</p>
<p>Os abutres do mercado financeiro, que ajudaram a financiar muita   irresponsabilidade nos bons tempos, agora sobrevoam as ovelhas   vulneráveis do rebanho europeu. Não só Grécia, Irlanda e Portugal, que   já caíram nas garras da crise, mas até mesmo as economias muito maiores   de Espanha e Itália.</p>
<p>Nos EUA, o quadro é de crescente fragilidade política. O processo   tortuoso que levou à aprovação, na undécima hora, do aumento no limite   de endividamento do Tesouro, provocou enorme desgaste da credibilidade   dos EUA, já abalada pelos desmandos financeiros que levaram à derrocada   em 2008.</p>
<p>A isso se soma a acumulação de evidências de que a economia dos EUA   não está mesmo em recuperação. O nível de atividade cresce pouco, o   desemprego permanece alto. Nesse ambiente, a solução dos problemas   fiscais fica muito mais difícil. A crise política solapa a confiança e   atrasa ainda mais a normalização da economia.</p>
<p>Quais as consequências disso tudo no plano internacional? O espaço só   permite tratar de uma delas: a inevitável redistribuição do poder, não   só econômico, mas também político. O primeiro movimento, o econômico,   estava em curso mesmo antes da crise de 2008-2009. China, Índia, Brasil  e  outros emergentes vinham aumentando a sua participação na economia   mundial. Com a crise, essa tendência se acelerou. O segundo movimento, o   político, é mais lento. EUA e Europa resistem, não raro com certa   ferocidade, a ceder espaço nas instituições internacionais.</p>
<p>No que se refere ao plano financeiro internacional, posso dar o meu   testemunho pessoal: em 2011, com o recrudescimento da crise econômica,   especialmente na Europa, as potências tradicionais se agarram a seus   privilégios, mostrando-se ainda mais resistentes a compartilhar decisões   com meros “emergentes”. A China, pelo seu tamanho e – não esquecer –   poder militar, não pode ser inteiramente ignorada. Mas os demais   emergentes, mesmo os outros Brics, tendem a ser deixados mais ou menos   de lado no curto prazo.</p>
<p>Espero estar errado, mas tudo indica que a economia mundial e as   relações internacionais passarão por um período extremamente difícil e   que esse período de dificuldades não terá vida curta. A primeira metade   do século XXI poderá se revelar tão turbulenta e violenta quanto a   primeira do século XX.</p>
<p>Escrevi este artigo ao lado da minha primeira e até agora única neta:   a fofíssima Helena. Que o avô se mostre um profeta fracassado e os   problemas acima discutidos não atrapalhem a geração dela!</p>
<p><em>Por PAULO NOGUEIRA BATISTA JR. é economista e diretor executivo  pelo Brasil e  mais oito países no Fundo Monetário Internacional, mas  expressa os seus  pontos de vista em caráter pessoal </em></p>
<p><em>Fonte: </em>blogprojetonacional.com.br</p>
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		<title>A crise e a política</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Aug 2011 19:46:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Embora seja óbvio que é estrutural a crise econômica dos EUA, óbvio que o impasse político é quem está catalisando este processo. A longa novela da negociação para ampliar o teto do endividamento americano é, em última análise, o que criou as condições de temperatura e pressão para a desconfiança que tomou conta dos mercados. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Embora seja óbvio que é estrutural a crise econômica dos EUA, óbvio   que o impasse político é quem está catalisando este processo.</p>
<p>A longa novela da negociação para ampliar o teto do endividamento   americano é, em última análise, o que criou as condições de temperatura e   pressão para a desconfiança que tomou conta dos mercados.<img title="Mais..." src="http://www.flb-ap.org.br/wp-includes/js/tinymce/plugins/wordpress/img/trans.gif" alt="" /><span id="more-2800"></span></p>
<p>E este não é um processo casual ou espontâneo.</p>
<p>Foi produto de duas vertentes.</p>
<p>Uma, conhecida e esperada, o desejo incontido da direita americana de   retomar o controle do país. Fazendo a limpeza “étnica” e ideológica  com  que sonham desde o dia em que Obama venceu as eleições de 2008.</p>
<p>Outra, embora intuída, só agora comprovada na prática: a fraqueza com   que Obama se entrega diante da primeira decisão de vida ou morte que   teve de enfrentar e sua incapacidade de fazer aquilo que fez a maioria   dos americanos e da humanidade apoiá-lo.</p>
<p>Sua fala de hoje, em meio ao caos em Wall Street, soa patética:</p>
<p><em>“Os mercados vão subir e cair, mas esse são os Estados Unidos.   Não importa o que uma agência possa dizer, temos sido e sempre seremos   um país ‘AAA’”</em></p>
<p>A direita, sobretudo a direita mais radical, sente que é possível derrotá-lo.</p>
<p>As pesquisas mostram um abalo enorme em sua popularidade e na confiança em que seja capaz de mudar a situação.</p>
<p>O gráfico mostra seu declínio: dos 48% que tinha em maio, logo após a   execução de Osama Bin Laden, tinha 41 na última semana de julho. E a   coisa só não é mais dramática porque os republicanos não tem um   candidato forte.</p>
<p>E trocar a arrogância de ser “AAA” por ser parceiro na busca de   soluções globais, em que a liderança americana não sirva apenas para   apontar o caminho do buraco.</p>
<p>Porque, deste jeito, é este o único rumo que os EUA apintam para o mundo. (blogprojetonacional.com.br)</p>
<p><strong><br />
</strong></p>
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		<title>Médici e Nixon articularam golpe militar que derrubou Salvador Allende</title>
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		<pubDate>Thu, 17 Sep 2009 20:37:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Class aptent taciti sociosqu ad litora torquent per conubia nostra, per inceptos himenaeos. Cras a nulla nec risus fermentum aliquet. Donec iaculis gravida iaculis.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div><span><em>Documentário exibido no dia em que se  completa 36 anos do golpe militar no Chile retrata trama urdida pelos  militares por determinação da burguesia chilena e dos governos dos  Estados Unidos e do Brasil</em></span></div>
<div><em><br />
</em></div>
<div><span>&nbsp;</p>
<p>Por <strong>Lúcia Rodrigues</strong><br />
“Eu não sabia o que era tomar leite com  <span id="more-909"></span>chocolate e com Allende eu  soube. Eu nunca tivera sapatos, mas com Allende no governo, tive. Não  comíamos frango, mas com Allende passamos a comer”, afirma  Camilo  Arias, ao descrever o governo do primeiro presidente socialista do Cone  Sul, eleito em setembro de 1970.</p>
<p>Arias tinha por volta de 11 anos de idade e morava em uma favela chilena  quando os militares golpistas depuseram Salvador Allende da presidência  do Chile, em setembro de 1973. A preocupação com a melhoria da  qualidade de vida da população empobrecida fascinou a criança. O chileno  conta que naquela época se respirava socialismo no país.</p>
<p>“Lembro que quando Allende foi à ONU, jogávamos bola na rua, mas  ouvíamos seu discurso pelo rádio. Hoje a juventude não sabe o que  aconteceu no país. Mas em 70 falávamos de Allende na escola, os  professores conversavam conosco sobre seu governo. E diziam que era  importante para o nosso futuro”, destaca.</p>
<p>Arias conversou com a reportagem da <em>Caros Amigos </em>após a exibição do documentário <strong><em>Pela Razão ou Pela Força</em></strong>,  de Denis Barbosa, exibido nesta sexta-feira, 11, data em que se  completa 36 anos do golpe militar no Chile, no Memorial da Resistência,  em São Paulo. O filme é um retrato fidedigno da trama sórdida urdida  pelos militares por determinação da burguesia chilena e dos governos dos  Estados Unidos e do Brasil.</p>
<p>Para o diretor do Fórum de Ex Presos e Perseguidos Políticos e membro do  Núcleo Memória, Ivan Seixas, Brasil e Chile têm várias similitudes. “A  esquerda apostou no processo democrático nos dois países e tentou conter  a reação. A crueldade das duas ditaduras também foi muito parecida.”</p>
<p>Ele explica que os torturadores brasileiros foram ao Chile para ensinar  tortura aos militares golpistas. O delegado do DOPS (Departamento de  Ordem Política e Social), Sérgio Paranhos Fleury, e o capitão do  DOI-Codi (Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações  de Defesa Interna), Enio Pimentel Silveira, conhecido nos porões do  regime como doutor Nei, foram alguns dos “professores” de tortura no  Chile.</p>
<p>A Escola das Américas, centro de formação de torturadores e braço  repressivo dos norte americanos, também teve papel destacado no  fornecimento de “mão de obra” para o combate aos ativistas de esquerda  no país.</p>
<p>O brasileiro e militante da ALN (Ação de Libertação Nacional), Domingos  Fernandes, viveu a repressão dos golpistas na pele. Ele chegou ao Chile  em agosto de 73, vindo da Itália depois de ter saído clandestinamente do  Brasil.</p>
<p>Fernandes descreve o clima de instabilidade que permeava o cenário  político chileno em setembro de 1973. “As pessoas sentiam que o golpe  viria. Estávamos preparados para resistência, só não imaginávamos que  seria da forma como ocorreu. Achávamos que se ficássemos na resistência,  Allende sairia vitorioso”, ressalta.</p>
<p>Os golpistas chilenos já haviam tentado depor Allende em junho de 1973,  no episódio que ficou conhecido como “tancaço”, quando tanques militares  cercaram o Palácio de La Moneda, e metralharam vários manifestantes.  Mas os militares leais a Allende e o apoio das forças populares  impediram que o golpe lograsse sucesso naquele momento.</p>
<p>O general Carlos Platz, comandante chefe do Exército, exigiu a punição  dos golpistas. Em reação, as mulheres dos oficiais militares realizaram  protesto em frente à sua residência, o insultaram e forçaram sua  renúncia. Em seu lugar, Allende nomeou Augusto Pinochet, que estava  hierarquicamente abaixo de Platz.</p>
<p>Entre junho e setembro de 73, Allende tentou dialogar com os partidários  da Democracia Cristã, mas assim como a extrema direita, a força  política estava resoluta na decisão de derrubar o socialista. Em 11 de  setembro, Exército, Força Aérea, Marinha e Carabineiros (policiais  militares) colocam em operação o golpe da burguesia.</p>
<p>A movimentação das tropas militares começou por voltas das cinco horas  da manhã, segundo o relato de Fernandes. “Ouvimos o barulho da  movimentação do golpe. Não havia celular, mas conseguimos nos comunicar  com os companheiros.”</p>
<p>Os estrangeiros, como os brasileiros, ficaram mais expostos à repressão  do que os próprios chilenos. O sotaque era um elemento denunciador. Os  militares incentivavam a delação de estrangeiros. “Diziam que os  estrangeiros que estavam no Chile, eram de esquerda”, conta.</p>
<p>O ativista da ALN conseguiu asilo político na Embaixada da Argentina, em  21 de setembro. “A maneira de sair do Chile era via embaixadas”. O  Partido Comunista Italiano conseguiu um passaporte diplomático falso  para Fernandes e ele viajou para Portugal. Antes disso, conseguiu  colocar vários brasileiros dentro da Embaixada Argentina e livrá-los da  morte.<br />
<strong> </strong><strong><br />
<strong>Sabotagem da direita</strong></strong></p>
<p>A burguesia chilena fez de  tudo para desgastar o governo da União Popular e pavimentar o terreno  para o golpe militar. O discurso e a prática política de Allende a  deixava em polvorosa.</p>
<p>Allende expropriou fábricas e colocou os trabalhadores em seu comando,  estatizou bancos, nacionalizou o cobre, principal commodity do país,  implantou a reforma agrária, inclusive, para os índios mapuches, e  melhorou a vida dos pobres de uma maneira geral.</p>
<p>Quando Fidel Castro visitou o país, em novembro de 1971, as donas de casa da classe média fizeram um panelaço em protesto.</p>
<p>A direita começa a realizar atentados, sabotagens contra oleodutos e  centrais elétricas, passam a agredir parlamentares da Unidade Popular.  Em outubro de 1972, os donos de transportadoras de caminhão organizam um  locaute para provocar o desabastecimento da sociedade. No início de  1973, começa o racionamento de alimentos. As filas são enormes e falta  de tudo nas gôndolas dos supermercados. Tudo isso, regido  orquestradamente pela direita que preparava o golpe contra o governo  popular.</p>
<p>Recentemente, o historiador do Arquivo Nacional de Segurança dos Estados  Unidos, Peter Kornbluh, descobriu documentos que revelam o envolvimento  do ex presidente brasileiro Emílio Garrastazu Médici no golpe que  derrubou Allende. Relatório de Henri Kissinger relata reunião entre  Médici e o ex presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon, datado de  1971, que comprova que os dois trabalhavam pelo golpe que derrubaria o  médico socialista que dirigia o país andino.</p>
<p><strong>Firmeza de caráter</strong><br />
Allende não se rendeu aos bombardeios dos golpistas. “Allende não se  rende, merda”, afirmou o socialista antes de morrer. O presidente também  garantiu a saída de quem quis abandonar o Palácio La Moneda quando  começaram os bombardeios. Cumprimentou a todos e agradeceu pela  contribuição que deram ao governo da Unidade Popular. Aproximadamente 50  pessoas permaneceram com ele no La Moneda.</p>
<p>Às nove horas da manhã do dia 11 de setembro o som das bombas que eram  lançadas sobre o La Moneda pelos aviões da Força Áerea chilena era  absolutamente ensurdecedor. A partir daquele instante o país mergulharia  no mais profundo silêncio.</p>
<p>A liberdade de expressão estava banida do país por 17 longos anos. Os  únicos sons que se ouviam no Chile eram os gritos dos torturados e o  barulho das metralhadoras nos pelotões de fuzilamento contra os  oposicionistas. O famoso cantor de música popular Victor Jara foi uma  dessas vítimas do general Pinochet. Jara teve o corpo cortado ao meio  por uma rajada de metralhadora após ter as duas mãos quebradas.</p>
<p><a href="mailto:luciarodrigues@carosamigos.com.br">luciarodrigues@carosamigos.com.br</a></p>
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<div>extraído do endereço <a href="http://carosamigos.terra.com.br/">http://carosamigos.terra.com.br/</a></div>
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		<title>O dia em que Jango prendeu o cabo Anselmo</title>
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		<pubDate>Wed, 09 Sep 2009 20:42:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Em março de 1964, Anselmo foi preso quando tentava penetrar &#8211; e falar &#8211; na reunião do Automóvel Clube. Esse episódio tem sido ignorado até hoje, pois nunca interessou à mídia, cúmplice do processo golpista desde o início. Quem me reviveu o episódio agora, com detalhes preciosos que expõem o repúdio de Jango à indisiciplina [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em março de 1964, Anselmo foi preso quando tentava penetrar &#8211; e falar &#8211; na reunião do Automóvel Clube. Esse episódio tem sido ignorado até hoje, pois nunca interessou à mídia, cúmplice do processo golpista desde o início. Quem me reviveu o episódio agora, com detalhes preciosos <span id="more-910"></span>que expõem o repúdio de Jango à indisiciplina que enfraquecia o governo na área militar e encantava os golpistas e a mídia, foi o coronel Juarez Mota &#8211; à época capitão e ajudante de ordens do presidente, hoje aposentado, 75 anos de idade, e vivendo em Porto Alegre. O artigo é de Argemiro Ferreira.</p>
<p>A veemência com que, na entrevista ao Canal Livre da Rede Bandeirantes, o notório cabo Anselmo (José Anselmo dos Santos), de olho numa indenização como &#8220;perseguido político&#8221;, tentou negar que já era agente infiltrado (e provocador) da direita ANTES do golpe de 1964, não consegue contestar o depoimento enfático do delegado Cecil Borer em 2001 &#8211; conforme o excelente texto (talvez definitivo) assinado por Mário Magalhães na “Folha de S.Paulo”, a 31 de agosto de 2009.</p>
<p>Estou me metendo nessa discussão por ser assunto que me apaixona desde que participei, há pouco mais de três décadas, de uma reportagem de investigação da revista “Playboy”, conduzida pelo jornalista Marco Aurélio Borba, meu amigo (e editor nacional de “Opinião” no período em que dirigi a redação), que morreria poucos anos depois, num acidente em Brasília. Ouvi depoimentos para a revista no Rio, enquanto mais jornalistas faziam o mesmo em outros estados (não tenho aquele número da revista, mas seria bom se alguém pudesse informar ao menos o mês e o ano, entre 1977 e 1979, pois ainda acho que existem ali dados relevantes).</p>
<p>Na época, entrevistei vários militantes de partidos clandestinos e ex-presos políticos que tiveram contato com Anselmo (alguns insistem ainda hoje no detalhe de que seria marinheiro de 1ª classe e não cabo). Eles relataram fatos e dúvidas. Ouvi ainda pessoas que tinham servido na intimidade do governo João Goulart. A começar por meu amigo pessoal Raul Ryff, ex-colega de trabalho na redação do “Jornal do Brasil”, que tinha sido secretário de imprensa de Jango.</p>
<p>Com a ajuda de Ryff, cheguei a outros nomes de pessoas que tinham servido no Palácio durante o governo Jango. Eduardo Chuahy, amigo dele, capitão do Exército até ser cassado em 1964, servira como ajudante de ordens no gabinete militar da presidência, então chefiado pelo general Argemiro de Assis Brasil. Reconstituiu com riqueza de detalhes o clima existente no setor militar do Palácio e as muitas trapalhadas de Assis Brasil, que garantia existir o célebre &#8211; e ilusório &#8211; “dispositivo militar” capaz de impedir um golpe.</p>
<p>O aviso de Corseuil: &#8220;ele é espião&#8221;<br />
Eu estava particularmente interessado em falar com o comandante Ivo Acioly Corseuil, o que foi possível na época graças ao aval de Ryff e Chuahy, que o conheciam bem. De fato, Corseuil contou muita coisa, aprofundando relatos já conhecidos. Mas o núcleo central do depoimento dele a mim foi a ratificação do que já dissera a Moniz Bandeira e estava no livro (publicado em 1977) “O Governo João Goulart &#8211; as lutas sociais no Brasil, 1961-1964”, sobre o qual escrevi minuciosa resenha para “IstoÉ”, infelizmente publicada na época com alguns cortes.</p>
<p>Ele explicou que no governo de Jango o chefe da Casa Militar (Assis Brasil) era também o secretário do Conselho de Segurança Nacional. Segundo a entrevista que Corseuil me deu, em 1962 ele era chefe de gabinete do CSN e em 1963 passou a sub-chefe da Casa Militar. Foi quando fez o informe (ele não lembrava a data precisa) avisando que Anselmo era agente infiltrado, provocador e trabalhava para a CIA.</p>
<p>Corseuil me disse que tinha informações de várias fontes, segundo as quais havia gente infiltrada entre os marinheiros. Até pessoas vestidas de marinheiros que, na verdade, não eram marinheiros. Uma das fontes que lhe passaram tais informações era “um rapaz da turma de Carlos Lacerda”, então governador da Guanabara. Julgou confiável o dado porque o rapaz, que conhecia há algum tempo, ex-funcionário do ministério da Marinha, trabalhava para Lacerda junto aos marinheiros (lacerdista, tinha saído do emprego para trabalhar no Palácio Guanabara).</p>
<p>Mas a informação de que Anselmo era agente da CIA não viera desse agente (identificado apenas como “Tanahy”) e sim por um correspondente de jornal norte-americano &#8211; “pessoa com muitos contatos, que falava com muita gente”. Ele sempre telefonava para dar informações. Por exemplo, tinha passado imediatamente a informação sobre uma reunião de Lacerda com correspondentes norte-americanos para conclamar os EUA a derrubar Jango.</p>
<p>Para a CIA, &#8220;útil por liderar&#8221;<br />
Para Corseuil, Anselmo não era o único agente infiltrado, mas pode ter sido escolhido pela CIA onde era visto como capaz de liderar. Perguntado por que nada foi feito pelo governo de Jango, apesar das muitas informações e avisos feitos, respondeu que as providências não cabiam ao CSN. A Marinha é que teria de se aprofundar no caso, por estar na sua área. A tarefa teria de ser especificamente do Cenimar, que era sempre avisado. Corseuil enfatizou que também tomara a iniciativa de avisar pessoalmente o Cenimar. “Aquela gente do Cenimar era toda do Lacerda. E o Lacerda fomentava a rebelião”, disse-me ele.</p>
<p>Corseuil também explicou que nenhuma providência foi tomada desde 1962, apesar de tantos avisos e informes, em parte por causa do próprio temperamento de Jango, que “tinha um coração grande demais”. Lembrou o episódio da revolta dos marinheiros, no Sindicato dos Metalúrgicos, quando o presidente foi especificamente alertado para o papel de Anselmo e nada fez &#8211; embora outras pessoas do governo também tenham alertado na época para a necessidade de ação vigorosa para deter a conspiração.</p>
<p>Mas pelo menos dois oficiais que serviam no Palácio recordam ainda hoje um episódio no qual Jango, pessoalmente, agiu com firmeza, mostrando estar consciente do papel de Anselmo como provocador e agente infiltrado. Chuahy, então capitão, pediu que Ryff alertasse Jango e mostrasse ao presidente como a mídia, desde que começara o problema dos sargentos, superdimensionava a questão e apostava deliberadamente na ação potencial de Anselmo para subverter a disciplina, empurrando até moderados das Forças Armadas para o lado do complô golpista em marcha.</p>
<p>O episódio citado foi o da prisão de Anselmo em março de 1964, quando tentava penetrar &#8211; e falar &#8211; na reunião do Automóvel Clube. Tem sido praticamente ignorado até hoje, pois nunca interessou à mídia, cúmplice do processo golpista desde o início. Quem me reviveu o episódio agora, com detalhes preciosos que expõem o repúdio de Jango à indisiciplina que enfraquecia o governo na área militar e encantava os golpistas e a mídia, foi o coronel Juarez Mota &#8211; à época capitão e ajudante de ordens do presidente (além de amigo), hoje aposentado, 75 anos de idade, e vivendo em Porto Alegre.</p>
<p>&#8220;Preso por ordem do presidente&#8221;<br />
Estava em marcha, claro, a operação destinada a desestabilizar o governo, como parte do esforço para superdimensionar os movimentos dos sargentos e dos marinheiros (ainda que muitos, obviamente, tenham deles participado por desinformação ou ingenuidade). Conforme o relato do coronel Juarez, o presidente não sabia que Anselmo planejava falar no Automóvel Clube, mas tinha consciência de que ele era agente infiltrado na esquerda.</p>
<p>“Quem o viu chegar foi o coronel Carlos Vilela, da Casa Militar”, conta o militar aposentado. “Como eu estava mais à frente, acompanhando o presidente, ele me chamou: ‘Está chegando o cabo Anselmo, o que faço?’ O próprio Jango antecipou-se e deu a ordem: ‘Prende!’ Quando Anselmo começava a entrar, voltei com Vilela, que o segurou pelo ombro, enquanto eu punha a mão no pescoço. Os dois desviamos o cabo à força para outra sala, onde havia um sofá de dois lugares. Vilela mandou que ele sentasse e comunicou: ‘Por ordem do presidente, o senhor está preso’. Em seguida Vilela foi chamar o coronel (Domingos) Ventura, comandante da Polícia do Exército. Ventura veio com a escolta e levou Anselmo preso para o quartel da PE.”</p>
<p>Para Juarez, aquela ordem firme de Jango deixou claro que não tinha dúvida sobre quem era Anselmo. Podemos concluir que a avaliação coincidia com a descrição de Cecil Borer, delegado e torturador que o usava no DOPS como informante (conforme contou à “Folha” em 2001) juntamente com “a Marinha e os americanos”. O relato de Juarez é reforçado por Chuahy, que à época já era veemente também na crítica aos movimentos de sargentos e marinheiros, devido á manipulação oculta da oposição direitista com apoio da mídia. Vilela morreu no ano passado (2008). Tinha sido ajudante de ordens do general Zenóbio da Costa na II Guerra Mundial.</p>
<p>Juarez Mota continuou no Exército (aposentou-se como tenente-coronel) e nunca deixou de ser amigo de Jango, que conhecia praticamente desde criança. Natural de São Borja, também era parente do presidente Getúlio Vargas: seu avô era primo-irmão de Getúlio e a bisavó Zulmira Dorneles Mota era irmã de dona Cândida Dorneles Mota, mãe do presidente que se matou em 1954.</p>
<p><a href="http://argemiroferreira.wordpress.com/">Blog de Argemiro Ferreira</a></p>
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		<title>O Golpe de 64 foi dado pelos empresários de São Paulo</title>
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		<pubDate>Wed, 08 Jul 2009 20:29:49 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[O tempo fechou nesta quinta-feira na Assembleia Legislativa. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A falta que faz uma análise materialista do percurso de Leonel Brizola em meio às contradições entre as classes sociais e o projeto dele que fracassou. Esse fracasso tem de ser compreendido pela conexão entre <span id="more-641"></span>a estrutura de classe e a representação política.</p>
<p>Leonel Brizola foi derrotado vítima do colonialismo interno de São Paulo, a ponta de lança do imperialismo norte-americano.</p>
<p>O golpe de 64 foi arquitetado pela burguesia bandeirante, mais do que Minas Gerais e Rio de Janeiro com Magalhães Pinto e Carlos Lacerda.</p>
<p>As Forças Armadas deram um golpe bandeirante.</p>
<p>Depois de 1979 cindiu a representação política do trabalho. O PC acabou no PPS, o Partido dos Trabalhadores recusou o trabalhismo pré-64. Os sindicatos de empresas multinacionais deram um corte no percurso partidário de Leonel Brizola. O general Golbery do Couto e Silva tirou a legenda do PDT de Leonel Brizola e paparicou a emergência de uma nova liderança sindical em São Paulo.</p>
<p>O PT é a classe operária depois de 1964 com as fábricas multinacionais sediadas em São Paulo.</p>
<p>A propósito dos interesses dos trabalhadores em fábricas multinacionais, é preciso dizer que o PT não expressa os interesses socialistas de uma classe operária comunista, tendo um projeto revolucionário de transformação social, mas sim os interesses econômicos imediatos tradeunistas.</p>
<p>Segundo Leonel Brizola, as idéias socialistas deveriam fazer parte do PDT. Ainda que possam existir dentro do PT militantes socialistas, não se pode vinculá-lo ao marxismo.</p>
<p>O livro de Darcy Ribeiro, O Dilema da América Latina, escrito no começo dos anos 70, deu ênfase à questão da massa marginalizada da população. É um livro marxista sobre a acumulação capitalista de que o pauperismo é conseqüência.</p>
<p>Darcy Ribeiro, à maneira de Trotsky, dizia que o exército dos desocupados não pode ser visto como exército de reserva na concepção clássica de Marx. É que existe uma massa de gente que não tem esperança de vir a se ocupar produtivamente, uma população que está de antemão condenada a ser desocupada permanentemente: cada vez aparece mais gente que engrossa essa massa de desocupados, gente que nunca teve emprego e não terá nunca, uma infraclasse entre o proletariado e o semi-proletariado que vive de caridade e de migalhas.</p>
<p>Darcy Ribeiro referindo-se à América Latina, dizia: estamos vivendo na época do emprego impossível.</p>
<p>O exército industrial de reserva não é um conceito que expressa o movimento real da sociedade latino-americana, porque a maioria da população está situada abaixo da classe operária e não tem condições de ser absorvida.</p>
<p>O fenômeno da não-absorção da força de trabalho não ocorre apenas nas sociedades subdesenvolvidas. Isso também existe nos países desenvolvidos com capital investido mais no trabalho constante do que no trabalho variável, mais na maquinaria do que na força de trabalho.</p>
<p>O exército industrial de reserva é necessário ao processo de acumulação de capital, só que no Brasil não é o exército industrial de reserva nem a superpopulação relativa, porque dada a presença do imperialismo na economia brasileira, essa massa marginalizada é um elemento estrutural que aumenta a cada dia.</p>
<p>Tendo em vista os efeitos da acumulação de capital nos países da América Latina, o PDT foi concebido para responder ao pauperismo e a não-absorção da força de trabalho no mercado.</p>
<p>Convém lembrar que existe conexão entre a aristocracia operária nos países desenvolvidos e a super-exploração do trabalho nos países subdesenvolvidos, assim como nos países subdesenvolvidos uma parcela da classe operária se aristocratiza nas empresas multinacionais em São Paulo.</p>
<p>O PT surge na sede do colonialismo interno paulista. O PDT nascerá no Rio de Janeiro, onde a presença da massa marginalizada da população é enorme.</p>
<p>No Rio de Janeiro não existe abismo entre a classe operária e a marginalização da força de trabalho. A classe operária mora nos mesmos lugares das infra-classes.</p>
<p>O PDT canalizou sua atenção para os bolsões marginalizados e miseráveis da população. Para os fundadores do PDT, existia inter-relação entre o domínio multinacional e o crescimento da população excedentária.</p>
<p>O capital monopolista estrangeiro é o fator causal explicativo da marginalização da força de trabalho. E não se trata de uma anomalia, e sim da estrutura do desenvolvimento do subdesenvolvimento. É com esse ideário que o PDT surgiu como partido político na história do Brasil.</p>
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		<title>Porque 80% dos empregos gerados no Brasil são de apenas e tão somente de até 2 salários mínimos?</title>
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		<pubDate>Fri, 26 Jun 2009 17:08:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[orem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit. Phasellus vel neque in nunc pharetra iaculis eget vel urna. In adipiscing pellentesque mi ut fermentum. Aenean at felis vitae urna tempor laoreet ac a lorem. Proin enim orci, vehicula in posuere et, elementum quis dolor.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<p>Por   isso para o povo brasileiro: “80% dos empregos gerados no Brasil são  de  no máximo 2 salários mínimos ou para os que não conseguem um  emprego, o  Estado como caixa de compensação e de<img title="Mais..." src="http://www.flb-ap.org.br/wp-includes/js/tinymce/plugins/wordpress/img/trans.gif" alt="" /> estabilização do setor produtivo,  que usa da mais alta rotatividade de  mão de obra do mundo para pagar  baixos salários, oferece uma bolsa  compensatória ou assistencial,  para  manter este modelo de exclusão e  concentração da riqueza, e caso não se<span id="more-893"></span>  aceite, polícia e presídios,  para os que seguem outro caminho”.<br />
Para nos ajudar a explicar isto o economista Gustavo Santos do BNDES nos   mostra que o Brasil tem um alto déficit de US$60 bilhões em   metal-mecânica, química e eletrônica. “O Brasil não é um país   industrializado, apenas detém algumas regiões desenvolvidas. E propõe o   desenvolvimento de indústrias dos setores metal-mecânico, químico e   eletrônico, a exemplo de outros países”. O Brasil seria desenvolvido em   uma geração, se a capacidade produtiva dessa industria aumentasse a   ponto de gerar superávit em sua balança comercial, afirma Gustavo.   Lembrando também que as exportações do setor eletrônico foram um passo   imprescindível no desenvolvimento do Japão, Coréia do Sul, de Taiwan e   da China.<br />
E, continuando, nos mostra que precisamos de uma política industrial   orientada pelo Estado, com apoio dos bancos públicos, instituições de   tecnologia e universidades, do contrário, os brasileiros continuarão a   dar duro para receber baixos salários ou uma bolsa compensatória e   assistencial.<br />
E como nos ensinou Celso Furtado este modelo econômico serve apenas para   sustentar o padrão de consumo da elite brasileira enquanto o   trabalhador tem que se conformar com uma bolsa compensatória ou   assistencial. Por isso revela que temos que estar empenhados nas lutas   sociais a favor de mudanças. Como apoiar a luta pela reforma agrária e   por mais recurso para a agricultura familiar. A luta pela mudança de   padrão de consumo que agride ao meio ambiente. A luta por mais recurso   para os ensinos infantil, básico, fundamental e médio. A luta por uma   reforma tributária que de um basta à sangria dos minguados ganhos dos   trabalhadores, enquanto as grandes fortunas e os grandes proprietários   pouco pagam de tributos. A luta por uma política industrial com   aplicação mais recurso para a ciência e tecnologia para sairmos da   condição de exportador de produtos primários para industrializados, para   agregar valor aos salários. A luta contra o modelo urbano que faz as   cidades reféns dos especuladores urbanos, do lobby do transporte   coletivo, dos especuladores imobiliários, do lixo etc. A luta para   alterar a política de juros que sangra a economia e a população,   subordinando o Banco Central aos trabalhadores e ao setor produtivo,   para que a população cada vez mais tem acesso ao crédito. A luta pela   reforma política e pela democratização dos meios de comunicação. Enfim   lutar por mudanças para que o Estado brasileiro não seja apenas uma   câmara de compensação e estabilização para manter os trabalhadores   calmos e tranqüilos, ou se caso, precise, chamem a política e aumente as   vagas nos presídios.<br />
Os democratas e progressistas, que leram pelo menos um pouquinho da   literatura clássica sôbre a teoria de Estado colocada por Marx, Lênin,   Poulantzas e Arthusser sabem que eles mostraram o Estado como aparelho   de classe, impondo através da força e das suas correias de transmissão à   ideologia do aceite, e que foi aprofundada por Claus Offe e James   O’Connors, nos mostrando o Estado como uma câmara de compensação e de   estabilização de um sistema produtivo injusto, concentrador e   excludente, que recebe os impostos e repassa em políticas compensatórias   e assistenciais para manter o exército de reserva calmo e sem  revolta.   Por isso não basta aos democratas e progressistas fazer  apenas o papel  de gerenciador da câmara de compensação e de  estabilização, sendo  somente de gestores de políticas compensatórias e  assistenciais. É  preciso sim lutar pela mudança do modelo econômico  como nos ensinou  Celso Furtado em seu livro “Em busca de novo modelo”,  para que os  trabalhadores brasileiros não tenham como futuro apenas  conseguir um  emprego para ganhar no máximo até 2 salários mínimos.</p>
<p>Extraído do site <a href="http://www.gazetadenovo.com/index.php?page=news.php&amp;view=12459757633070">http://www.gazetadenovo.com/index.php?page=news.php&amp;view=12459757633070</a></p>
<p>Geraldo Serathiuk, advogado, especializado pelo IBEJ/PR e com MBA em Marketing pela UFPR.</p>
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