Escrito por: Arthur Poerner
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Data: 20/05/2011 - 18:46
Arthur Poerner Há pessoas cujas exatas dimensões somente são percebidas e justamente avaliadas quando morrem. Jequitibás frondosos, a sua indiscreta imponência provocava inveja e outros sentimentos competitivos ao redor; arrancados da vida, todas essas baixezas são sepultadas nas imensas crateras deixadas pelas suas raízes. E o verdadeiro vulto dos extintos pode, enfim - como, agora, o de Leonel de Moura Brizola -, emergir em toda a sua grandeza. Conheci-o há
quase 40 anos, em 1965, no balneário de Atlântida, a 47 quilômetros de Montevidéu, onde fora confinado pelas pressões da ditadura militar sobre o governo uruguaio. Às portas do inverno, apenas dois dos 60 apartamentos do edifício Vistalmar estavam ocupados: o de Brizola, no terceiro andar, e o dos tiras encarregados de vigiá-lo, no segundo. Depois de discorrer sobre o bem que fazia à saúde o odor de eucalipto que impregnava o balneário, em meio a duas pilhas de livros encabeçadas pel’O estado militarista, de Fred Cook, e A invasão da América Latina, de John Gerassi, ele concedeu-me, para o Correio da Manhã, uma entrevista que, se bem me lembro, foi a primeira publicada na nossa imprensa depois do golpe. Como tantos outros exilados, Brizola estava descobrindo, com a visão da floresta internacional que a vivência no exterior propicia, a importância da árvore Brasil. Brizola era uma dessas pessoas que não passam um só dia sem fazer descobertas e sempre vão dormir mais ricas do que quando acordaram. Uma delas ele me contou quando eu também já era exilado, em 1977, em Colônia. Havia sido expulso do Uruguai, recebera asilo de Jimmy Carter e me ligou de Hamburgo, onde conhecera os chanceleres Willy Brandt e Helmut Schmidt. Queria falar, entre outras coisas, sobre a profunda impressão que tivera ao passar, em Nova Iorque, diante da sede da ITT: - "Então era esse o monstro que tive que enfrentar lá no Rio Grande!" Acredito que ele estava, então, arrematando o conceito de "perdas internacionais". Foram os nossos dois primeiros encontros. Com a anistia, tivemos muitos outros aqui, sempre profícuos para mim, embora eu jamais tenha sido um dos áulicos. Sempre disse o que pensava e, embora me ouvisse com atenção e respeito, acho que, algumas vezes, não agradei. Mas, confesso, vou sentir saudades, agora que ele foi para o longe de onde sempre disse que viera. poerner@booklink.com.br -
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