O COLUNISTA DIZ...

Eduardo Rodrigues de Souza

Secretário-geral do PDT da Bahia.

História, justiça e trabalho

Pode parecer contraditório à primeira vista que Roberto Jefferson, presidente nacional do PTB – Partido Trabalhista Brasileiro, ao criticar os gastos da justiça do Trabalho no país, tenha dito que “Ela é a babá mais cara do mundo. Você não tem defesa na Justiça do Trabalho. Nós tínhamos que acabar com a Justiça do Trabalho, porque ela é uma excrescência brasileira e julgar na Justiça comum”.

Talvez ébrio pelo ódio de não ver sua filha que fora por ele indicada para ministra do Trabalho tomar posse, o senhor Jefferson sufoca os últimos suspiros que mantinham a gloriosa sigla trabalhista viva. É que a Justiça do trabalho foi instalada em território nacional em 1º de maio de 1941 por Getúlio Vargas; o mesmo Getúlio que fundou o PTB e criou o Ministério do Trabalho, que sua filha tenta sem êxito ocupar, e a CLT que este novo PTB ajudou a pisotear com a reforma trabalhista.

Há de se lembrar que o PTB foi o partido do presidente deposto pelo golpe de 1964 – João Goulart, que antes de chegar à presidência havia sido vice-presidente por duas ocasiões – ambas tendo mais votos que os candidatos à presidente, pois as eleições eram separadas) e ministro do Trabalho de Vargas, sendo à época o autor de um aumento real de 100% ao salário mínimo -.

Lembre-se ainda que o PTB foi a sigla de Leonel Brizola, ardoroso lutador pela democracia e contra o autoritarismo dos anos de ditadura, tendo a sigla lhe sido tomada no último golpe da ditadura antes da redemocratização. É que o PTB não poderia ir para suas mãos, haja vista o claro risco de sua chegada à presidência e o que isso representaria para o povo e para os apoiadores da ditadura.

Emocionante lembrar que a retirada da sigla PTB e a fundação do novo PDT, por Brizola, foi noticiada para a história em versos por Carlos Drummond de Andrade em ‘Vi um homem chorar’, que merece ser lido – dá um Google aí -.

Por isso tudo, por mais que pareça contraditório o presidente nacional do partido trabalhista brasileiro criticar a justiça do trabalho, na verdade não o é. Quem conhece a história que o diga.

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