O COLUNISTA DIZ...

Everton Gomes

Vice-presidente da Fundação Leonel Brizola – Alberto Pasqualini no Rio de Janeiro e mestre em Ciência Política.

Juventude e o Dia do Trabalhador

A cena do garoto pobre que vende bala no sinal nos parece ser perfeita para exemplificar a falta de compromisso com a nossa juventude. No Brasil de Temer, persiste o jovem alocado como mão de obra barata, dispensável – são os carvoeiros, no nosso interior; e os trocadores de lotadas e camelôs, nas cidades grandes.

Quando adquire a idade para obter a tão almejada carteira de trabalho, outras atividades de risco – quase sempre na informalidade – são a face macabra que representa a ocupação da maioria dos nossos rapazes e moças.

Ou seja, a grande maioria, excluída do mercado formal, submete-se a vagas de subemprego, no qual as condições precárias vão de encontro à lógica do trabalho decente tão apregoado pelas organizações internacionais, como a OIT.

Em um país que chega aos quase 14 milhões de desempregados, é lamentável constatar que, entre jovens, as taxas sejam pelo menos três vezes maiores. Sem dúvida, esta triste realidade reforça os motivos que lançam parte da juventude popular brasileira na marginalidade.

É fundamental, portanto, para se mudar esse quadro, que se empreenda uma série de políticas corretivas que compreendam o jovem na sua complexidade. Mais ainda: faz-se necessário a garantia de investimentos sociais em educação, cultura e políticas públicas de juventude como elementos básicos, com objetivo de minimizar as distorções.

Entretanto, como esperar isto de um governo que até bem pouco tempo tinha em seu núcleo central, como Secretário Nacional de Juventude, um jovem que defendia chacinas como solução para o enfrentamento da violência e resolução da crise prisional? É se esperar o impossível.

A Proposta de Emenda Constitucional 55, conhecida por PEC da maldade, congela os gastos sociais com saúde, educação durante vinte anos e lança incertezas sobre qual será o futuro de nosso país e de nossos jovens. A terceirização e as reformas da previdência e trabalhista são também medidas que atentam violentamente contra as futuras gerações.

Agora, além de menores garantias geradas pela precarização, nossos jovens não sabem sequer se terão direito a aposentadorias, caso a proposta da reforma da Previdência também seja aprovada no Congresso Nacional.

É importante, porém, nesta hora, pedir-se emprestado ao saudoso Paulo Pontes o título de um roteiro de sua autoria, em plena ditadura: “Brasileiro: Profissão Esperança”. E com motivos alvissareiros: em meio a todo este quadro de crise, dia 28 de abril marcou a retomada de um sentimento de luta incrível.

A greve geral que paralisou o Brasil – de norte a sul – mostrou que é possível barrar as reformas e derrotar o governo ilegítimo. A repressão foi implacável, mas não impediu que milhares de jovens fossem às ruas defender seus sonhos de um Brasil diferente.

Cabe-nos aproveitar a data máxima universal – Dia do Trabalhador – para comemorar nossas conquistas históricas, mas também e principalmente, para ganhar fôlego e promover muita agitação no meio da juventude trabalhadora brasileira, garantindo novas derrotas ao projeto de sucateamento nacional e de retirada de direitos defendido pelos inimigos do povo brasileiro e de sua juventude.

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