O COLUNISTA DIZ...

Luiz Gustavo de Oliveira

Estudante de Economia na Universidade de Brasília (UNB).

O preço do golpe

Nunca estivemos em uma posição tão confortável de debate”, disse um amigo meu, em uma de nossas conversas. Pode ser que seja verdade. A conta do golpe está caindo no colo do povo e, aliás, fazendo com que a ‘nova’ classe média se redescubra povo também, diga-se de passagem.

A grande mídia brasileira, principal mecanismo de manipulação em massa do país, utilizado desde que a mesma existe para justificar e manter a dominação de uma oligarquia sobre o proletariado, mudou repentinamente seu caráter ‘crítico’ e ‘indignado’ para uma posição de porta-voz privado do governo federal. Está, mais que nunca, escrachado.

Ademais, ainda com o desserviço prestado pelas grandes emissoras de televisão e algumas das grandes editoras de revista, está cada vez mais complicado para os Golpistas concluírem seus objetivos através da manipulação da democracia. Em outras palavras, talvez nem a grande mídia consiga defender o indefensável.

Os argumentos são sempre os mesmos. Austeridade, responsabilidade, necessidade. Mas o discurso está esgotado.

A restrição de conhecimento que caracteriza a distância entre povo e governantes legitima o cenário de ‘pós-verdade’, possibilitando a aprovação, sem alvoroço, de medidas catastróficas, como foi o caso da PEC 241, a “PEC do fim do mundo”, e da tenebrosa Reforma da Educação, consolidada através de Medida Provisória, vale lembrar.

Por outro lado, é mais difícil empurrar goela abaixo desmedidas que tratem de assuntos mais palpáveis, mais práticos, conhecidos pelo povo.

Assuntos ensaiados ainda no cenário do Impeachment, frutos de pretensões criminosas por parte dos golpistas, como de costume, entraram em pauta nas últimas semanas, e representam um verdadeiro teste para a população brasileira. Isso porque a falta de credibilidade do Governo Temer está visível e as suas verdadeiras ambições estão aparentes. Esse é um teste de inércia.

Afinal, quem em sã consciência e com o mínimo de bom senso é capaz de defender a Reforma Trabalhista que está por vir, sem ser beneficiário direto da mesma?

Quem tem coragem de inflar o peito para demonstrar apoio à escravagista Reforma da Previdência, salvos os pobres coitados seguidores remanescentes do desnudo MBL?

A questão não é mais de mera preferência política. O tabuleiro está montado, quer queiramos ou não. São eles contra o povo. Ponto.

Filiado partidário e representante do executivo sendo nomeado à Suprema Corte. Ministro do STF se encontrando com o presidente e réu, que o mesmo julga. Presidente da Câmara notavelmente comprado pelos interesses das empreiteiras. Ministério criado para abrigar e proteger político investigado. Desemprego recorde a cada dia. Juiz fazendo aparição em eventos políticos, com síndrome de popstar.

Os 3 poderes estão completamente desmoralizados e a população está, mais que nunca, refém das vontades pessoais dos que ocupam suas cadeiras. Países foram abaixo por menos.

Temos, por fim, olhos abertos. A questão é se a visão medonha que nos apresentam desperta desesperança ou revolta.

A batalha que está por vir não vai ser transmitida na TV, mas será sentida quando a barriga começar a doer.

Não esperemos nem um, nem outro, para lutar.

Eles não mais nos olham nos olhos. Abdicam do hasteio da bandeira para se esconder nos panos do seu falso patriotismo.

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