O COLUNISTA DIZ...

Ademir Ramos

É professor, antropólogo, presidente da Fundação Leonel Brizola - Alberto Pasqulini (FLB-AP) no Amazonas, além de coordenador do NCPAM/UFAM e do projeto Jaraqui.

A falta que faz Jefferson Péres

Nos anais da histórica política do Amazonas registram-se valiosos homens e mulheres combativos e éticos. Um deles que muita falta faz nesta hora é o saudoso senador Jefferson Péres, que no dia 19 de março completaria 85 anos, se vivo fosse.

José Jefferson Carpinteiro Péres, manauara da gema, apaixonado politicamente por sua cidade natal e pelo seu povo, foi eleito vereador em 1988 e reeleito em 1992.  Para o Senado, o parlamentar foi eleito em 1994 (1995-2003), contrariando o caciquismo político local e, de pronto, ganhou reconhecimento nacional por seu valor ético e pela sua conduta responsável, capitaneando para si matérias importantes, tais como a relatoria do processo que resultou na cassação do mega empresário da construção civil de Brasília, senador Luiz Estêvão (PMDB). Primeiro cassado, no Brasil, por quebra de decoro no dia 28 de junho de 2000, Estevão foi preso e condenado a 31 anos de cadeia pelos crimes de peculato, corrupção ativa e estelionato.

Em 2003, Jefferson Péres foi reeleito pelo povo do amazonas para o Senado, vindo a óbito em 23 de maio de 2008.

Mito fundador: A partir de 1999, deixado o PSDB, o Jefferson Péres passou a lutar a frente do PDT, do qual foi líder da Bancada no Senado por diversas vezes. Embora não tenha sido um dos fundadores do Partido em nível nacional, atuou ativamente na organização e mobilização da sigla no Amazonas como plataforma de oposição, catalisando respeito político e ético no campo partidário. Com a sua morte, todo o legado transferiu-se para o PDT, que de forma hábil soube trabalhar este valor, redimensionando a política como instrumento de cidadania e soberania popular no estilo brizolista.

A participação do senador do Amazonas na chapa do PDT nas eleições presidenciais de 2006, como candidato a vice de Cristovam Buarque, foi uma experiência marcante para que ele, indignado, proferisse o celebre discurso que, de imediato, virilizou nas redes sociais e nas estampas das revistas, bem como nos grandes jornais do Brasil, transformando o nosso senador em um dos ícones da ética política. Desta feita, no dia 30 de agosto de 2006, ele declarava em alto e bom som, no Plenário do Senado, que voltava aquela tribuna para manifestar o seu desalento com a vida pública deste País. Não satisfeito, fazia a seguinte afirmativa: “O que está faltando mesmo ao Brasil, e sempre faltou, é uma elite dirigente com compromisso com a coisa pública, capaz de fazer neste País o que precisaria ser feito: investimento em capital humano.”

Reclamando sua presença: Neste ano, portanto, celebra-se 85 anos de nascimento de Péres. Mais ainda: 9 anos de seu súbito falecimento, deixando-nos um vazio político que até hoje não foi totalmente preenchido. E nesta ausência, com a corrupção assolando a política partidária, é importante resgatar nossos mitos fundadores para sustentar o ânimo daqueles que ainda acreditam num Brasil justo e solidário, passando a limpo a política nacional como bem fazia o nosso líder do PDT.

Um País, dizia ele, “que tem um Congresso deste, que tem uma classe política dessa, que tem um povo (…). Dizem que político não deve falar mal do povo. Eu falo, eu falo. Parte da população compactua com isso. É lamentável! (…). Não é por desinformação, não. E que não é só o povão, não. É parte da elite, inclusive intelectual. Compactuam com isso é porque são iguais, se não piores”. Vivas a Jefferson Péres e aos brasileiros indignados. É o nosso grito.

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