O COLUNISTA DIZ...

Manoel Dias

Ex-Ministro do Trabalho e Emprego, atual Presidente da Fundação Leonel Brizola – Alberto Pasqualini e Secretário-Geral Nacional do PDT.

Uma nova compactação republicana

Com o advento do golpe parlamentar de 2016, as fissuras de nossas instituições transformaram-se em erosões avassaladoras para a sociedade brasileira.

O estado democrático de Direito, a soberania nacional e o direito dos trabalhadores sofrem o mais perverso ataque do governo ilegítimo.

Urge uma nova compactação republicana, fundada na retomada imediata do amparo da soberania popular, e da defesa intransigente da soberania nacional.

Sofremos um verdadeiro e criminoso desmonte do estado brasileiro, estamos literalmente de joelhos frente aos mais espúrios interesses internacionais que visam exclusivamente nossas riquezas, em especial nosso petróleo.

A retórica vazia e falaciosa do Estado Mínimo é irresponsável socialmente e seduziu parcelas significativas de nossa sociedade. É preciso retomar o Estado de Bem-Estar, a Libertação Nacional, e o Estado indutor de Desenvolvimento.

Reformas profundas são necessárias, como por exemplo, a reforma política que estabeleça as bases de uma representação popular e que aponte o fortalecimento de partidos políticos verdadeiros e ideológicos.

Não é mais aceitável pequenos partidos como grandes negócios que, para aprovarem leis e matérias relevantes ao país, negociem cargos e emendas parlamentares convenientes às suas benesses.

Restabelecer a correta função do poder judiciário como isonômico e não como agente político e protagonista da disputa ideológica, mas sim como guardião dos direitos do cidadão e da Constituição.

Retomar definitivamente as Reformas de Base, propostas por João Goulart, que buscava saldar a dívida social que as elites brasileiras insistem até hoje em calotear nosso povo.

Não podemos mais ter uma posição de apenas acomodação e conciliação de classes quando nosso povo está carente de saúde, educação e habitação dignas, enquanto o rentismo insaciável retira direitos dos trabalhadores, quando nosso patrimônio é entregue ao capital externo, quando as velhas e perniciosas oligarquias continuam a saquear o patrimônio público.

Abolir de uma vez a educação desonesta de mera absorção e aceitação de nossas desigualdades, compreender de uma vez por todas que educação é instrumento essencial para nossa afirmação soberana libertária, e que é preciso ter uma visão humanística, solidária, em uma escola de tempo integral que atenda todas as necessidades de nossas futuras gerações, assim como sonhou Darcy Ribeiro e Leonel Brizola.

Recompactuar o Brasil e enfrentar suas verdadeiras enfermidades é solucionar e alforriar nosso povo das amarras de suas elites, e ter um Estado verdadeiramente protetor e defensor de seu povo e de nossas riquezas.

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