O COLUNISTA DIZ...

Wendel Pinheiro

Historiador, escritor, professor de formação política da Fundação Leonel Brizola - Alberto Pasqualini e membro do Diretório Nacional do PDT.

Sintetizando pontos e clareando ideias

Algumas pontuações sobre a justiça, política e sociedade brasileira. Como sempre, direto ao ponto. Vamos lá.

1) A Lava Jato, longe de ser um instrumento importante de lisura do Estado Nacional, foi o instrumento muito bem utilizado pelos EUA, usando gente de direita pertencente à burocracia estatal para destruir o Estado Brasileiro e a economia Nacional.

2) Diante da ousada política externa de Lula e Dilma com os BRICS, era intolerável a permanência de ambos, mesmo com as limitações e ambivalências do PT. Daí o golpe de 2016 e o projeto de destruição da economia nacional com o projeto ultraliberal de Temer, o “Ponte para o futuro”.

3) Mesmo o PT jogando para o sistema, o sistema não os reconhece. Mesmo o PT querendo adentrar a antessala dos barões, os mesmos veem o PT como o penetra da festa. De forma que o PT foi apenas o gerente do capitalismo brasileiro nos governos de Lula e Dilma, sem um projeto nacional-popular e se conformando a um republicanismo asséptico e quando muito… alternâncias entre a socialdemocracia e o social-liberalismo.

4) O julgamento do TRF-4 é apenas parte do projeto da CIA e dos grandes conglomerados em barrar uma candidatura com potencial eleitoral. Para a burguesia nacional e internacional, a liberal democracia é útil quando as favorecem e asseguram os seus lucros. Sem isso, pode ser a democracia mais fajuta: se os grupos econômicos não forem beneficiados, eles preferem uma “democracia blindada” ou mesmo um regime autoritário de fundo burguês, golpeando governos democráticos.

5) Na ordem capitalista, pouco importa a democracia e o respeito à Constituição: quando os interesses do capital são feridos, a Constituição pode ser RASGADA e inclusive sendo usada para agravar a crise institucional e o desrespeito ao pouco que resta da ordem constitucional para rasgar e dilacerar o pouco que resta dela.

6) Defender preceitos constitucionais em meio a um golpe consolidado significa, em outras palavras, defender de tabela o atual ordenamento golpista.

7) O julgamento do Lula é eivado de ilegalidade e extremamente viciado pela atual conjuntura política. O julgamento, por si só e dentro do atual contexto, é imoral, com um Judiciário sem condições morais para fazê-lo e entregue aos interesses de grupos econômicos e políticos nacionais de direita e também internacionais.

8) Lula tem erros e o erro dele está associado ao tráfico de influência com as grandes empreiteiras. Político de esquerda com liderança carismática que se preza tem que manter a sua coerência e sua imagem ilibada!

9) A apropriação do legado trabalhista pelo PT em torno do julgamento soa como oportunismo. A disputa da memória e do legado de uma organização dentro do imaginário popular e histórico diz muita coisa a respeito da trajetória de uma organização. O PT historicamente demonstrou nunca ter qualquer relação com o trabalhismo. Pelo contrário: sempre execrou a tradição histórica trabalhista, o considerando como “populismo” e desfez dos nossos líderes trabalhistas, no pior sentido da acepção da palavra. De forma que nosso legado tem que ser defendido e não pode ser apropriado de forma indébita e oportunista.

10) Por último, líder de esquerda que capitula com o sistema com a nova “Carta ao Povo Brasileiro” para os banqueiros precisa rever as suas posições. Pior: ter uma presidente nacional de partido que usa os meios de comunicação para capitular publicamente ao sistema como se nada tivesse acontecido, a ponto de despertar o questionamento de setores da esquerda.

É isso que eu, Wendel Pinheiro, penso sobre toda a atual conjuntura política!

Post-Scriptum:

Acresço às análises minhas a observação do historiador ⁨Luiz Carlos Vergara:

“Apenas acrescento que o único modo de impedir a apropriação indébita é radicalizando os atributos contidos em nossa história nas ruas, através de ações concretas, e não apenas formalmente com homenagens.”

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